Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 03/11/2023
De acordo com a Constituição Federal, o acesso à educação é um direito de todos, e é dever do Estado garantir isso. Entretanto, essa garantia não é assegurada na medida em que a evasão escolar persiste no país. Tal situação é motivada pela desigualdade econômica e pela gravidez precoce no cenário brasileiro.
Nesse contexto, a desigualdade econômica intensifica o abandono dos estudos. Essa questão acontece porque, para muitos alunos de baixa renda, é necessário trabalhar para ajudar financeiramente sua família, e por esse motivo abdicam dos estudos em prol da própria sobrevivência. Dessa maneira, a pobreza e a evasão escolar tornam-se cíclicas, já que ao abandonar os estudos pela necessidade financeira, o jovem não garante o mínimo de qualificação para um bom emprego, e assim, em muitos casos, ao chegar na idade adulta também não consegue uma boa remuneração para garantir a permanência dos seus filhos nas escolas.
Além disso, a gravidez precoce também prejudica a conclusão do ensino básico. Tal panorama ocorre porque, ao engravidar, a aluna necessita de ajuda para cuidar da criança no período escolar e auxílio financeiro para sustentar seu filho, porém, em muitos casos, elas não recebem amparo familiar ou do pai do bebê. Assim, essas jovens acabam desistindo de seus estudos para criar e sustentar seu descendente. Essa situação é exemplificada pelo estudo do Ministério da Educação divulgado em 2016, no qual 18% das meninas que desistiram do ensino foram motivadas pela gestação.
Então, a gravidez precoce e a desigualdade econômica favorecem a evasão escolar no Brasil. Para mudar essa realidade, medidas são necessárias, por exemplo: o poder Executivo deve criar um projeto de permanência escolar. Nesse programa, todos os alunos do ensino básico público, que possuírem pelo menos 75% de frequência escolar, receberão um salário mínimo é uma cesta básica mensalmente. Alem disso, os filhos de alunas matriculadas nas escolas serão, automaticamente, matriculados em creches municipais a partir do nascimento. Dessa forma, o abandono escolar será reduzido, garantindo os direitos já previstos na Constituição.