Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 23/10/2023

No século XV, a atuação de Lutero na Reforma Protestante vai além de questionar as práticas da igreja, defendeu inovações no âmbito escolar, que tinham a educação para todos e a frequência obrigatória como princípios. Contudo, essa visão ainda não é efetivada, haja vista a evasão escolar no Brasil, que está intrinsecamente ligado ao sistema educacional ultrapassado e a desigualdade social existente no país. Logo, é preciso analisar o problema para contorná-lo.

Primeiramente, a desatualização do modelo educacional brasileiro trata-se de um empecilho ao tentar combater a evasão escolar. Nesse sentido, o educador Rubem Alves compara as escolas a asas ou gaiolas, tendo em vista a sua capacidade de incentivar ou alienar os seus alunos. De fato, o sistema tradicional conteudista aplicado nas escolas brasileiras está focado sobretudo no cumprimento da matriz curricular, que não prioriza as habilidades pessoais de casa indivíduo, fator que resulta no desinteresse por parte do estudante e, por conseguinte, contribui para evasão escolar.

Além disso, a desigualdade social enraizada no país colabora com a problemática em questão. Sob essa visão, ao se analisar o sistema capitalista vigente, no livro “Sapiens”, o professor Harari defende a ideia de que o dinheiro tem duas vertentes, ao mesmo tempo em que une a sociedade, cria barreiras, com a concentração de renda. Desse modo, estabelecendo uma analogia com a conjuntura atual, é perceptível que muitos jovens são levados a desistir de sua formação escolar para entrar no mercado de trabalho e auxiliar financeiramente a família, uma vez que a renda total familiar não é suficiente para itens básicos, como alimentação. Assim, ganhar dinheiro torna-se mais atrativo do que aprender para esses adolescentes.

Portanto, faz-se necessário mudanças na realidade brasileira. Dessa forma, é dever do Poder Legislativo alterar as diretrizes educacionais. Essa ação será feita por meio da atualização da matriz curricular de ensino, que priorize reconhecer e incentivar as individualidades de cada aluno, com o objetivo de atrair o interesse dos jovens pela educação. Ademais, cabe ao Governo a criação de bolsas de auxílio financeiro para estudantes de escola pública, visando evitar a evasão escolar devidoa situações socioeconômicas.