Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/08/2023
Na música “Divino maravilhoso”, Caetano veloso critica a inaptidão governamental em prover direitos básicos à população da década de 1960, fator que gerou prejuízo ao bem-estar social. No panorama contemporâneo, pode-se traçar um paralelo com a ineficácia do Estado em mitigar a evasão escolar, de modo a inviabilizar o acesso pleno à educação, direito tutelado constitucionalmente. Além do descaso estatal, isso ocorre por falta de conscientização pública assertiva sobre o tema e ambos os fatores devem ser gerenciados tempestivamente.
Sob esse viés, tem-se a atuação do governo como preponderante para inibir a evasão educacional. Nesse contexto, o filósofo Norberto Bobbio relaciona a ausência do Estado com o “perecimento” da cidadania. Por conseguinte, percebe-se um “efeito dominó”, o qual começa com a evasão do ensino básico e culmina na dificuldade do indivíduo de inserir-se no mercado de trabalho e, portanto, assegurar uma vida digna e o acesso aos direitos constitucionais básicos, como a saúde, a educação e a alimentação. Dessa feita, para tutelar a cidadania, deve-se combater esse mal de forma sistemática.
Outrossim, salienta-se a conscientização pública como parte indissociável da redução dos índices de evasão. Nesse ponto, o antropólogo Roberto Damatta critica a inércia do brasileiro, por esperar soluções milagrosas advindas da política. Por outro lado, para lidar com a questão de forma ativa, o papel das famílias em apoio às escolas é fundamental. Desse modo, desde a juventude, o estudante deve ser orientado sobre a necessidade de concluir os estudos e acerca dos prejuízos que podem surgir de um ensino incompleto, uma vez que durante a infância, é normal que essa perspectiva mais abrangente não esteja consolidada.
Dessarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são corresponsáveis pelo combate ao abandono escolar. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue diuturnamente no acompanhamento e manejo dos índices de evasão estudantil. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, além de elaborar projetos que ampliem a orientação aos jovens sobre a importância de concluir os estudos. Assim, de modo gradual, o país será beneficiado e a canção do Caetano deixará de refletir a realidade.