Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 01/04/2022
De acordo com o “Jus Naturale”, antigo conceito romano, os cidadãos possuem direitos iguais nos campos social e político. Todavia, no que concerne ao infortúnio proeminete da evasão escolar no contexto brasileiro, constata-se a refutação do princípio supramencionado. Desse modo, é substancial discutir não somente as causas típicas que levam um jovem a abandonar os estudos, mas também os fatores que impedem subverter essa realidade mórbida.
Precipuamente, convém salientar que, segundo o UNICEF, um em cada três adolescentes das famílias mais pobres do mundo nunca frequentou a escola. Nesse viés, percebe-se que, pela necessidade de auxiliar os pais ou responsáveis nas despesas familiares, há uma parcela significativa de jovens brasileiros que têm o seu direito às intituições de aprendizagem cerceado, isto é, abandonam os estudos e passam a exercer atividades laborais degradantes. Consequentemente, é intolerável que essa situação nefasta persista no Brasil.
Outrossim, é indubitável que o descaso político-administrativo é um fator-chave na perpetuação da problemática. Acerca dessa premissa, nota-se a refutação do princípio estabelecido pelo pensador francês Jean Bodin, segundo o qual o Estado deve garantir o bem-estar dos cidadãos. A título de exemplo, é mister citar a inexistência de medidas hábeis que auxiliem financeiramente famílias carentes e que venham a viabilizar, de fato, o acesso de todos os cidadãos à escola. Dessa forma, é imprescindível que ações sejam colocadas em prática energicamente para superar essa realidade maquiavélica.
Ante os fatos, é imperioso que o Governo Federal, que tem como meta garantir os direitos dos cidadãos, engaje-se no combate ao infortúnio. Para tanto, deve ser criado um projeto de auxílio financeiro exclusivo para famílias carentes que possuem crianças e adolescentes em idade escolar, implementando ainda a oferta de cursos técnicos em período extraescolar -e um estágio remunerado na área escolhida pelo estudante-, o que irá incentivar a permanência dos jovens na escola, ainda que pertença à camada menos abastada da sociedade. Com essa medida, será possível aniquilar a situação atual do índice alto de abandono escolar no Brasil e, assim, ratificar os princípios do “Jus Naturale” no Brasil.