Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, observa-se um panorama distante, uma vez que a evasão escolar é um fator contrastante para a concretização dos ideais de More. Sob tal ótica, como contribuintes desse quadro antagônico, destacam-se tanto a inadimplência governamental quanto a marginalização social. À vista disso, torna-se crucial analisar as causas desse revés na conjuntura brasileira contemporânea.
Nesse contexto, é notório que a indiligência do Estado potencializa a banalização da evasão escolar. Sob esse viés, o filósofo contratualista John Locke, aponta o Estado como o maior promotor do bem estar social e, consoante, a Constituição Cidadã de 1988, decreta o Estado como a entidade incumbida de resguardar todos os direitos previstos na Carta Magna para todo e qualquer cidadão em território brasileiro. Entretanto, dados do Instituto Unibanco comprovam a inoperância das esferas de poder ao apontar que devido às desigualdades social e de renda, mais de 1 milhão de jovens deixaram os estudos nos últimos dez anos. Conquanto, tal realidade diverge das prerrogativas constitucionais basilares e exige, impreterivelmente, uma intervenção estatal.
Ademais, é imperativo ressaltar a incivilidade aliada à uma problemática que atinge somente as minorias como importantes causas de tal conjuntura. Nesse sentido, tanto o individualismo da contemporaneidade apontado na obra “Modernidade Líquida” pelo sociólogo Zygmunt Bauman, quanto a visão deturpada do governador que buscar manter o poder em detrimento da promoção do bem comum, assumem contornos específicos no contexto brasileiro e reverberam negativamente nas diversas camadas do país.
Destarte, urge a necessidade de atuação vigorosa do Estado para mitigar a perpetuação dos impactos nocivos da evasão escolar no Brasil. Em virtude disso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com a profissionais especialistas no assunto, informar a população, por meio de campanhas públicas e palestras, as principais causas e consequências da manutenção desse quadro temerário que assola a atualidade brasileira, promovendo, também, a plena educação social e o conhecimento acerca dos direitos previsto na Constituição. Por conseguinte, observada a ação conjunta entre população e Poder Público, a “Utopia” de More não estará mais delimitada apenas ao plano artístico e poderá ser alcançada pela coletividade.