Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 19/11/2021

“Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”: a frase, da ativista Malala Yousafzai, reitera a importância da educação para o desenvolvimento social. Contudo, mesmo com a inegável necessidade do ensino para uma sociedade próspera, a evasão escolar, ou seja, o abandono dos estudos, é uma das principais problemáticas do Brasil contemporâneo. Nessa ótica, destacam-se dois fatores: a necessidade do jovem de conseguir um emprego e o acesso precário às instituições.

A princípio, é crucial ressaltar que o ingresso no mercado de trabalho é um dos principais fatores no abandono escolar juvenil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos jovens envolvidos na evasão escolar são de baixa renda, e abandonam os estudos com o intuito de trabalhar para auxiliar financeiramente suas famílias, negligenciando seu desenvolvimento socioeducacional devido à falta de investimento governamental em programas de apoio aos cidadãos de classe baixa ou média baixa. Desse modo, mostra-se óbvio que a manutenção das taxas de pobreza na população influência em um ciclo vicioso de abandono escolar em prol da sobrevivência, comprometendo a educação de milhões de brasileiros.

Além disso, outro fator que contribui para a alta nas taxas de evasão escolar é a dificuldade de acesso às escolas. De acordo com uma matéria da revista Veja, um dos motivos mais citados pelos responsáveis como justificativa para o abandono escolar de jovens consiste na soma de instituições de ensino distantes e falta de transporte, visto que uma parcela significativa dos adolescentes é de baixa renda e vive em habitações que recebem pouco investimento governamental e por isso estão distantes das escolas (ex: palafitas, favelas…) e não possuem capacidade financeira para providenciar um transporte pago. Logo, os jovens acabam impedidos de prosseguir os estudos, tendo o seu desenvolvimento comprometido.

Em síntese, é cabível constatar que a evasão escolar é um problema intrínseco da sociedade brasileira, e deve ser combatido. O Ministério da Educação deve garantir a permanência dos jovens na escola, através da criação de programas de auxílio financeiro para famílias de baixa renda com indivíduos em idade escolar e do financiamento da construção de escolas em áreas habitacionais de difícil acesso, visando ajudar a situação econômica desses núcleos e prover uma educação ao alcance do aluno. Somente assim, o estudante terá o ensino como preocupação fundamental e poderá focar em concluí-los.