Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e o desespero refletido no semblante de um personagem contido em um ambiente caótico. Para além da obra, observa-se que, dentro da conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de pessoas afetadas pela evasão escolar na realidade do país é, frequentemente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Logo, faz-se de forma urgente a análise dos fatores que contribuem com esse quadro, destacando-se a negligência governamental e a necessidade de ingresso no mercado de trabalho.
Em primeira análise, convém ressaltar o descaso do Estado em solucionar os problemas relacionados à evasão escolar na sociedade brasileira como agravante do revés. Essa incapacidade das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbi, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, porém sem cumprir sua função social com eficácia. Sob essa ótica, é nítido que muitos estudantes não possuem recursos necessários para frequentar o ambiente escolar, muitas vezes por morar longe do colégio e não ter como se locomover, ou por não conseguirem adquirir o material de estudo obrigatório, que seria fornecido pelo próprio Estado. Portanto, será necessária uma intervenção estatal para refutar a teoria do estudioso polonês dentro da realidade do país.
Ademais, é igualmente preciso apontar a necessidade de ingresso no mercado informal de trabalho para o sustento familiar como fator impulsionador do aumento nos números de evasão escolar, na realidade brasileira. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a entrada precoce no âmbito trabalhista alavanca a saída do ambiente escolar e fere os direitos dos jovens, já que muitos pais não possuem condições financeiras necessárias para a família, o menor acaba sendo obrigado a zelar pela situação monetária dos seus parentes. Logo, é inadmissível que tal revés insista em continuar em pleno século XXI.
Depreende-se, assim, a necessidade de combater essas adversidades relacionadas à evasão escolar no país. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio da construção de colégios em locais mais humildes, aproximar o discente do âmbito escolar, tornando mais fácil a locomoção e mais dócil a interação do mesmo com o aprendizado. Paralelamente, é necessário que o Estado garanta recursos mínimos para a sociedade, evitando que o menor precise evadir-se do ambiente educacional e ingressar precocemente no mercado informal de trabalho. Dessa forma, consolidar-se-á uma sociedade mais justa e inteligente, onde o desespero retratado na obra de Munch, limitar-se-á ao mundo artístico.