Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/11/2021

A Constituição Federal de 1988 garante como dever do Estado brasileiro o acesso ao ensino gratuito e à educação às crianças e aos adolescentes em todo o país. No entanto, não é o que se observa no cenário atual diante da alta no abandono escolar. Nesse contexto, no Brasil, surge a problemática da evasão escolar diante da realidade, seja pelo reflexo da desigualdade social, seja pela ineficiência de instituições públicas.

Sob esse viés, em um país de grande desigualdade social, em que apenas uma pequena parcela da população tem acesso à educação de qualidade, dificilmente a outra parcela, mais pobre, terá um ensino educacional justo. Acerca disso, como retrata Marx, sociólogo alemão, a infraestrutura, sempre ligada ao capital, gera uma superestrutura, como a sociedade, cultura, educação etc. Analogamente a essa conjectura, a evasão escolar opera: famílias, ao portarem como renda um baixo ou nulo salário não conseguirão sustentar uma educação edificante, pois, muitos de seus filhos, para completar a renda, começam a trabalhar logo cedo. Visto isso, como consequência, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil, em 2021, possui quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes fora da sala de aula. Assim, uma nação que vive de discrepâncias, principalmente a econômica, muito provavelmente terá um grande número de pessoas abandonando as escolas.

Em segunda análise, a alta evasão escolar passa pela ineficácia dos meios sociais. Nesse cenário, segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, as Instituições Zumbis, isto é, o Estado e os governos estaduais e municipais, funcionam apenas com seu arcabouço estrutural, sem função e dever social. Por essa lógica, esses meios públicos, ao não permitirem uma educação digna, de qualidade e atrativa para toda população, ajudam no abando no escolar. Como exemplo, ilustra-se a disponibilização de espaços de ensino precários, a falta de transporte adequado em regiões mais carentes, a ausência de adequação profissional de muitos professores etc. Portanto, o alto número de alunos que abandonam as escolas tem como reflexo bases sociais fracas e ineficientes.

Dessa forma, a evasão escolar sob a dinâmica brasileira passa tanto pelas discrepâncias socias, quanto pela ausência do dever dos meios sociais. Sobre isso, as ONGs, por meio das mídias, devem estimular a criação e expansão de projetos sociais e educacionais, seja levando o ensino a maioria da população carente, seja com maior incentivo aos professores no ensino a essa parte da população. Com isso, as crianças, mais instruídas, reduzirão o abandono escolar e os índices de analfabetismo e crimes juvenis. Logo, por conseguinte, uma sociedade mais justa será formada e os alunos conseguirão melhores condições de emprego e qualidade de vida.