Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/11/2021
No filme Preciosa, a protagonista adolescente que dá nome a obra é obrigada a abandonar o ensino regular. Analogamente, situações semelhantes de evasão escolar acontecem diariamente no Brasil, uma vez que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em média 10 milhões de jovens não terminaram a escola no país. Para ser possível minimizar tal estatística lamentável, é fundamental analisar as principais causas que motivam esse abandono estudantil, dentre elas a necessidade de trabalhar e a gravidez na adolescência.
Nessa conjuntura, é essencial entender que, muitas vezes, o jovem precisa escolher entre escola e emprego. Isso acontece pois, na maioria dos lares vulneráveis socioeconomicamente, conforme afirma o IBGE, os salários dos pais e responsáveis são insuficientes para o sustento da família, o que obriga os filhos a trabalharem desde cedo. Consequentemente, muitos desses jovens não conseguem conciliar a dupla vida de estudante e empregado, já que os empregos, geralmente, cumprem as oito horas máximas de jornada laboral. Sem opção, eles abandonam o ensino escolar. Logo, fica claro que a necessidade de trabalhar é um nefasto catalisador para esse problema e, por conseguinte, a jornada cansativa contribui para a marginalização dos jovens de baixa renda no país.
Além disso, nota-se um outro agravante: a gravidez na adolescência. Sob essa ótica, ao engravidar, muitas adolescentes não possuem uma rede de apoio que as permita continuarem nos estudos. Sem opções com quem deixar as crianças, essas mães optam por desistir de estudar. Exemplo dessa situação é o filme citado, no qual Preciosa, grávida do segundo filho, evade da escola em que estuda por ser encorajada a tal. Não restrito a esfera fictícia, esse exemplo faz-se presente na realidade nacional pois há milhares de preciosas espalhadas por todo o Brasil que, indiscutivelmente, precisam ser reinseridas no contexto escolar.
Infere-se, portanto, que a evasão escolar brasileira há de ser diminuída. Para incentivar a permanência do jovem empregado na escola, é imprenscindível que o Poder Público, em parceria com as empresas participantes, dobre o número de vagas do programa existente Menor Aprendiz, pois as vagas de emprego oferecidas por ele possuem jornadas menores que as de oito horas diárias dos empregos tradicionais. Ademais, com o objetivo de fazer com que as jovens mães voltem a estudar, é necessário que as creches municipais tenham, também, o seu número de vagas dobrados. Para ambas essas medidas, o Governo deve captar recursos por meio da realocação exclusiva de 1% do Imposto de Renda dos cidadãos físicos e jurídicos para esses fins. Dessa forma, a evasão escolar será, aos poucos, minimizada em todo o contexto nacional e histórias como a de Preciosa deixarão de existir.