Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 15/08/2021
A Constituição federal de 1988 garante, em seu Artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entrentanto, o que se observa na atualidade nacional são altos indíces de evasão escolar devido a problemas estruturais, como a pobreza. Dessa forma, cita-se que a necessidade trabalhar para ajudar na renda família configura como um dos motivos para a referida evasão.
Inicialmente, pontua-se que a educação é um dos pilares para o desenvolvimento socioeconômico e cultural de uma nação, haja vista que a qualificação profissional e humana do indivídiuo perpassa o âmbito educacional, o que permite a formação de cidadãos conscientes e aptos a atuarem como agentes transformadores da sociedade. Conquanto tal panorama seja o ideal, no Brasil, o que se observa é uma realidade de fragilidade educacional, haja vista a problemática da evasão escolar. Segundo dados da divulgados em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia, 20% de 50 milhoes de pessoas, com idade entre 14 a 29 anos, não haviam finalizado o ensino escolar. Ainda, de acordo com a referida pesquisa, a necessidade de trabalhar corresponde a um dos principais motivos para a evasão escolar. Dessa forma, é perceptível que a universalização do direito a educação é prejudicada na medida em que os problemas estruturais, como a pobreza, exigem que muitos jovens priorizem o trabalho em detrimento da educação para ajudar na renda familiar.
Nesse viés, o sociólogo Rogério Barbosa, em sua tese A Educação e a Desigualdade de Renda do Trabalho: um Enfoque Sociológico, assinala que a a falta de educação impacta o desenvolvimento nacional, pois, a longo prazo, acentuam-se os gargalos sociais, como o aumento do desemprego, a exclusão social e a concentração de renda. Ademais, a Organização das Nações Unidas reconhece que a falta de educação de qualidade impulsiona o cenário de exclusão social. Nesse sentido, evidencia-se que evasão escolar agrava diversos problemas já existentes no Brasil, pois a falta de qualificação educacional reduz as chances de dessas pessoas ingressarem em uma universidades, o que afeta diretamente a sua empregabilidade.
Portanto, torna-se fundamental que o Estado, juntamente com o Ministério da Educação, crie um fundo monetário nacional voltado especificamente para a manutenção de crianças e jovens de baixa renda nas escolas. Outrossim, as instituições escolares devem criar mecanismos de controle para garantir a permanência desses alunos, além de adotar palestras frequentes de conscientização acerca da importância do ensino para a superação da pobreza. Tais ações permitiriam a redução da evasão escolar, pois o apoio financeiro não exigiria mais dos alunos a necessidade do trabalho precoce e, consequentente, garantiria qualidade de vida a longo prazo por meio do acesso à educação.