Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/08/2021

Conforme assegurado pela Constituição Federal Brasileira, no Artigo 205, a educação é um direito de todos, bem como dever do Estado e da família. Entretanto, ao serem verificados os desafios levantados pela evasão escolar na realidade brasileira, nota-se que há a alienação a esse direito fundamental. Com efeito, cabe analisar como a exploração do trabalho infanto-juvenil e a segregação socio-espacial dos colégio favorecem a formação desse cenário flagelador.

Em primeiro plano, convém ressaltar como a mão de obra infantil e adolescente, ainda presente no país, influencia a evasão escolar. Analogamente, no contexto da Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra do século XVIII, a presença de jovens em fábricas - longe de ambientes educacionais - era constante, muito embora os estudos nesse contexto fossem destinados apenas à burguesia. Nessa perspectiva, o abandono da vida escolar consolida-se como um aspecto negativo na atual conjuntura econômica do Brasil, haja vista o consequente despreparo para a atuação no mercado laboral em virtude da desqualificação dos servidores, o que pode, a longo prazo, acarretar fome e miséria para as camadas mais pobres do corpo social e representar um desafio futuro para a nação.

Ademais, é certo que as características alienadoras da oferta de educação pública é um ponto crucial no aumento da desistência dos estudos fundamentais. Nesse sentido, fatores como as dificuldades do acesso às entidades educacionais e a ocorrência de precariedade do seu serviço prestado, sobretudo em áreas periféricas, consolidam a problemática da evasão escolar no Brasil, a qual quantifica-se na proporção de 25 desistentes a cada 100 alunos, anualmente, na faixa etária dos 15 aos 17 anos, segundo o site informativo “IstoÉ”. Destarte, o futuro trabalhista dos jovens evasivos tende a ser instável, em razão, novamente, do despreparo e da baixa qualificação para o mercado laboral.

Depreende-se, portanto, que a desistência dos estudos mais básicos acarreta uma série de malefícios para o público atingido e para a nação, como um todo. Logo, urge ao Governo Federal, em associação direta ao Ministério da Educação, promover o processo de democratização da educação por meio da adoção de medidas que incitem a participação das camadas sociais mais vulneráveis, a exemplo da criação de escolas próximas de áreas periféricas e do auxílio no transporte público, de forma a favorecer o acesso e reduzir as disparidades na formação colegial básica.  Outrossim, é necessária a inspeção de órgãos como o Conselho Tutelar em possíveis casos de exploração do trabalho infantil e juvenil, que é criminalizado. Dessa forma, o quantitativo de evasão escolar reduzir-se-á em território nacional e as garantias da Constituição Federal Brasileira para a educação serão devidamente cumpridas.