Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 15/07/2021

No prelúdio da contemporaneidade são inúmeras as situações que conduzem os adolescentes a abandonar o ambiente de estudos no Brasil. Por um lado, a negligência do Estado em assegurar o direito humano à educação e a manutenção dos alunos na sala de aula funciona como o problema principal. Por outro, a juventude brasileira, tragicamente, é conduzida para fora da escola rumo à marginalidade e à lamentável acriticidade impulsionando a problemática.

Sob esse viés, é relevante abordar que a Constituição Federal - promulgada em 1988 - assegura, no artigo 6°, a educação como direito social inalienável, visto que ela é de suma importância não só para defender plenamente a cidadania dos brasileiros, mas também proporcionar-lhes meios de ascender na sociedade. Todavia, de acordo com a OCDE, o Brasil gasta apenas 3 mil reais por aluno do ensino médio, fato que reflete nas más condições infraestruturais e laborais nos colégios e, sobretudo, torna escassa a merenda nas escolas públicas, acarretando na falta de energia e motivação dos alunos para estudar, haja vista que muitos estudantes brasileiros necessitam da alimentação oferecida pelo colégio. Logo, é irrefutável que o Estado deve implementar medidas atrativas tanto aos professores, quanto aos alunos, conforme rege a Constituição Magna, com o intuito de combater a absurda evasão escolar.

Ademais, vale ressaltar que na obra “Capitães da Areia”, o escritor Jorge Amado expõe, ficticiamente, a principal consequência da falta de estudo para as crianças: a marginalidade. Nesse bojo, além de comprometer o desenvolvimento cognitivo, intelectual e cultural dos indivíduos, o grave abandono escolar tem como reflexo direto a dificuldade de inserção dos jovens no mercado de trabalho. Nesse contexto, para as classes marginalizadas, as dificuldades em se dedicar aos estudos impedem, infelizmente, que essas pessoas saiam dessa condição. Assim sendo, é imprescindível a ação intersetorial com foco em políticas públicas de educação que, mormente, sejam eficientes para reintroduzir tais indivíduos no significativo ambiente escolar e formar uma geração crítica.

Dessa forma, fica clara a necessidade de um plano de ação intersetorial que proporcione aos brasileiros o acesso democrático ao conhecimento. Portanto, o Ministério da Educação, aliado à Iniciativa Privada, deve promover maiores investimentos na educação básica, por meio da implementação do aumento de salário dos professores e oferecimento de formação mais qualificada, instalando aparelhos culturais e esportivos ao redor das escolas, a fim de proporcionar um ensino atrativo e eficiente aos discentes. Com isso feito, o Brasil agregará, dignamente, os jovens no contexto educacional.