Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/07/2021

À merce do cenário desenvolvimentista do século XVIII, o movimento iluminista teorizou, como um dos seus maiores legados, a legitimação dos Estados aptos a enfatizar o bem estar social e coletivo. Entretanto, a grande fuga dos estudantes dos ambientes de aprendizado demonstra a instabilidade dos agentes sociais em estabelecerem tais prerrogativas. Nesse contexto, a evasão escolar acontece por dois principais motivos:  ineficácia do governo, além das desigualdades socioeconômicas no país.

Diante disso, é importante destacar a ineficiência do Estado como a causa primeira da problemática. Sob esse viés, é válido trazer o discurso do sociólogo Zygmunt Bauman e sua teoria das “instituições zumbi”, no qual afirma que o governo e a escola não cumprem com seus papéis sociais. Assim sendo, o Ministério da Educação -MEC- é falho ao não traçar medidas para reduzir o número de alunos que fogem do ensino, como, por exemplo, a conscientização dos responsáveis. Por conseguinte, consoante levantamento feito pelo MEC, aproximadamente 620 mil estudantes abandonaram os estudos em 2019, sendo esse número maior em 2020, ano pandêmico. Logo, verifica-se a necessidade de medidas dos administradores públicos em reverter esse quadro.

De modo complementar, o baixo poder aquisitivo de algumas famílias brasileiras acentua a adversidade. Nessa ótica, o célebre escritor brasileiro, Ariano Suassuna, diz: “O que é muito difícil  é você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos, o dos privilegiados e os dos despossuídos. Analisando tal perspectiva, constata-se que muitos estudantes escapam da escola para poderem trabalhar e complementar a renda em suas residências, e que, por muitas das vezes, essa ação é incentivada pelos pais por não compreenderem a importância do ensino como ferramenta de mudança da realidade atual. Desse modo, a condição encontra-se em um looping infinito, no qual, indivíduos por não possuirem estudo, continuam em situação de pobreza.

Portanto, nota-se que medidas são necessárias nos organizadores da educação pública brasileira. Destarte, o MEC deve, por meio da criação de um núcleo, propor alternativas para a diminuição da evasão escolar no país. Uma dessas ações carece ser a destinação do “Bolsa Estudante” que precisa ser destinada para alunos de baixa renda os quais são mais suscetíveis ao abandono escolar. Em síntese, o ato tem como finalidade a diminuição dos índices de fuga das instituições de ensino. Ademais, essa mesma organização, por intermédio de propagandas veículas na mídia, conscientizar a população sobre a importância da educação como transformador de realidades. Posto isto, a campanha tem de ser divulgada em horário nobre, para alcançar o maior número de pessoas possíveis. Feito isso, os conflitos vivenciados quanto a evasão escolar no Brasil se extinguirão.