Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/06/2021

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o acesso a educação como inerente a todo cidadão, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito a evasão escolar. Por isso, torna-se necessário um debate acerca dos desafios para diminuir o abandono do ensino regular na realidade brasileira.

Em primeira análise, é válido comentar sobre o aumento da gravidez precoce na atual conjutura brasileira. Essa problemática atenta para o descumprimento do artigo 6º da Carta Magna, o qual assegura proteção à maternidade e à infância como direito de todos os cidadãos, prerrogativa que, na prática, não é reverberada. Entretanto, tal cenário nada mais é do que o reflexo de um Estado negligente, uma vez que a responsabilidade do governo de garantir a permanência de crianças e adolescentes na educação integral não é cumprida, induzindo, dessa forma, o aumento da gravidez na adolescência, por conseguinte, o aumento da evasão escolar, visto que a gravidez precoce é uma das principais causas desse aumento - situação que torna o país ainda mais distante do Brasil utópico, representado no livro Policarpo Quaresma.

Vale ainda ressaltar a falta de apoio aos estudantes desamparados. Nesse sentido, é perceptível que, de acordo com o IBGE, alunos baixa renda são mais propícios a cometerem evasão escolar. No entanto, sobretudo em jovens negros com situação econômica precária, é notório que há maiores chances dessa parcela jovial da sociedade abandonar o ensino regular. Contudo, esse impasse alerta para a ineficácia do governo na implementação de políticas públicas, posto que não existe nenhum programa governamental eficaz com o intuito de ajudar jovens que necessitam conciliar a escola e o trabalho, por consequência, torna-se mais complexa a diminuição da evasão escolar na atual realidade brasileira.

Desse modo, visando a atenuação dos impactos negativos da evasão escolar na realidade brasileira, é preciso modificar a realidade, conforme o pensamento do jornalista irlandês George Shaw, que diz que o progresso é impossível sem mudança. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação, mediante o  Estatuto da Criança e do Adolescente, deve promover melhorias em políticas governamentais para assistência aos desamparados, a fim de garantir que jovens com gravidez precoce conciliem o papel de mãe com a escola, como também, programas educacionais com remuneração para alunos baixa renda, dessa forma, tais jovens não irão precisar largar a escola para trabalharem em locais precários. Dessa forma, será possível amenizar a evasão escolar na sociedade brasileira.