Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/06/2021
O documentário “Nunca me sonharam”, dirigido por Cacau Rhoden, retrata histórias de alunos que deixaram a escola para trabalhar, por se sentirem incapazes de acompanhar o desenvolvimento dos colegas, por desconhecerem a utilidade dos estudos, etc. Analogamente, no Brasil atual, nota-se diversos fatores contribuintes para a evasão escolar que, urgentemente, precisam de alternativas para amenizá-los, seja pela melhoria do sistema de ensino público, seja pela participação ativa da sociedade. Assim, faz-se necessário uma ação integrada entre o Estado e a comunidade civil no sentido de reverter o quadro.
De início, é inteligível que as falhas governamentais contribuem para o continuísmo desse cenário alarmante. Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, o direito à educação é inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, o escasso número de transporte escolar, o baixo investimento em projetos que envolva a participação ativa do estudante, bem como a insuficiência de profissionais dedicados ao acompanhamento de alunos com maior dificuldade de aprendizagem são fatores que dificultam a permanência de jovens na escola. Dessa forma, é necessário que o Estado promova a melhoria do ensino público no sentido de amenizar a evasão escolar no Brasil.
Ademais, os problemas estruturais do corpo social colaboram para a permanência do impasse. O sociólogo Émile Durkheim relata que a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por, assim como o próprio organismo, apresentar partes que interagem entre si. Contudo, na atualidade, observa-se que a população brasileira não coopera para que, principalmente, pessoas negras, com deficiência ou LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero) se mantenham na escola, uma vez que há violência dentro do próprio ambiente escolar. Destarte, é preciso que a comunidade civil coopere e participe de forma ativa na busca de alternativas para a permanência dos jovens na instituição de ensino.
Urge, portanto, a adoção de medidas para combater a evasão escolar no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação promover a melhoria da rede de ensino público, por meio de investimentos direcionados ao transporte escolar de qualidade, à contratação de profissionais para auxiliar alunos com maior dificuldade e às ações que integram a comunidade escolar e civil. Tais ações podem, por exemplo, focar no respeito dentro e fora da escola, bem como no incentivo ao retorno de alunos já evadidos, a fim de criar um ambiente escolar que favoreça a permanência dos alunos. Assim, a nação viverá em consonância com a Carta Magna vigente, fará jus à teoria do sociólogo Émile Durkheim e se tornará mais coesa.