Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/06/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à educação.No entanto, na conjuntura contemporânea, percebe-se que essa prerrogativa constitucional não é totalmente efetiva na prática, em virtude do aumento da evasão escolar, o qual propicia que muitos indvíduos não usufruam dessa norma vigente.Nesse contexto, urge analisar como a vulnerabilidade socioeconômica e a negligência estatal impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que o aumento do índice de evasão escolar está intrinsecamente relacionado à razões socioeconômicas.De acordo com dados da Síntese de Indicadores Sociais, o abandono escolar é oito vezes maior entre jovens de famílias carentes.Nessa perspectiva, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à situação de vulnerabilidade que milhares de estudantes vivem hordiernamente, o que faz com que esses sujeitos sociais abandonem a escola para se inserirem no mercado de trabalho e,concomitantemente, ajudarem a compor a renda de seus lares.Desse modo, por não terem recursos financeiros suficientes para continuarem os estudos, esses indivíduos ficam suscetíveis a exercerem atividades laborais insalubres e com baixa remuneração salarial.

Outrossim, vale salientar a ineficácia das políticas públicas de combate a evasão escolar.Segundo o filósofo alemão Immanuel Kant : “O homem é aquilo que a  educação faz dele”.Sob tal ótica,os cidadãos mais escolarizados possuem maiores chances de ascensão social e,consequentemente, inserção no mercado de trabalho formal com melhores salários.Nesse viés, os mínimos investimentos do Estado em educação corrobara para que mais indivíduos optem por abandonarem os estudos, visto que as escolas em situações  precárias e um ensino que prioriza apenas conteúdos didáticas e não enfatiza nas dificuldades dos discentes propicia a desmotivação dos estudantes em seguir com os estudos.Por conseguinte,a negligência estatal em proporcionar aos jovens uma educação de qualidade possibilita a evasão escolar.

Infere-se, portanto,que é imprescindível adotar medidas para minimizar a evasão escolar no âmbito social.Logo,cabe ao Ministério da Educação - órgão do Estado responsável pela formação civil - localizar os jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade e oferecer assistências estudantis e apoio psicopedagógico,uma vez que esses indivíduos,por não terem condições financeiras de se manterem na escola, acabam abandonando os estudos.Isso deve ser feito por meio profissionais capacitadas na área,como os assistentes sociais, a fim de que esses indivíduos se mantenham durante toda a fase escolar e,consequentemente,se tornem aptos a inserirem no mercado de trabalho formal.