Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 19/05/2021

De acordo com a Nobel da Paz Malala Yousafzai, “Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo”. Entretanto, na sociedade brasileira atual, o número de alunos que desistem dos estudos ganha patamares alarmantes, exigindo urgência de enfrentamento. Nesse contexto, vê-se que isso ocorre pela inação governamental e pelo falho papel do próprio sistema educacional. Logo, é necessário o debate sobre o assunto.

Em primeira análise, constata-se o reduzido número de ações estatais frente à negativa relação entre a desigualdade social e a evasão escolar. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2021, 27 milhões de brasileiros vivem a baixo da linha da pobreza. Nesse viés, a fome e a insegurança financeira, decorrente da precariedade de projetos e verbas do poder público destinadas ao desenvolvimento da população, induzem os jovens de classe social baixa a desistirem da escola em busca de trabalho, corroborando para o aumento da defasagem de ensino, que dificulta o retorno desses indivíduos aos estudos. Dessa forma, é inaceitável, em pleno século XXI, que o governo desvie o foco dessa problemática.

Ademais, outro fator a salientar é que a inflexibilidade metodológica dos professores é um agravante desse problema. De acordo com o professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Ricardo Paes de Barros, uma escola encantadora consegue manter, dentro dela, pessoas com diversos tipos de vulnerabilidade. Porém, os estudantes brasileiros perdem gradativamente o entusiasmo e o desejo pela sala de aula, já que muitos docentes persistem em métodos educacionais enrijecidos, que excluem, do ambiente escolar, a cultura e a opinião política de cada aluno, causando antipatia pelo aprendizado e, assim, a evasão. Dessa maneira, faz-se mister a reformulação dessa postura de forma emergencial.

Portanto, é notório que medidas devem ser tomadas para mitigar a questão. Desse modo, o governo, por meio de incentivos financeiros oriundos do tesouro nacional, deve criar um plano de combate ao abandono escolar com duas frentes de ação, sendo, na primeira, um aumento do valor entregue pelo Bolsa Família de 41 reais para 60 reais por cada benefício, juntamente com a distribuição mensal de cestas básicas e kits escolares para os beneficiários, com intuito de amenizar os efeitos da pobreza sobre a vida estudantil. Além disso, os diretores de escolas públicas devem reformular a metodologia empregada em sala de aula, capacitando os professores na educação personalizada à vivência extra sala de cada aluno. Feito isso, a nação será personagem de um “novo mundo”.