Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/01/2021

A obra “A cidade do Sol’’, do escritor italiano Tommaso Campanella, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o posto do que o autor prega, uma vez que o alto índice de evasão escolar na sociedade brasileira apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Campanella. Nesse contexto, a ineficiência estatal somada a necessidade de ingressar cedo no mercado de trabalho contribui diretamente para a permanência dessa problemática.

Nessa perspectiva, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a evasão escolar. Diante de tal exposto, o baixo investimento na linha de transporte escolar principalmente nas áreas periféricas e a ausência de escolas públicas nas regiões mais afastadas, como roças e distritos, faz com que muitas crianças e adolescentes parem de estudar. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do ‘‘contrato social’’, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que todos os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como educação.

Ademais, é fulcral salientar que a substituição do ensino pelo mundo do trabalho na adolescência acarreta inúmeras consequências negativas tanto para esses indivíduos, quanto para o país. De acordo com os pensamentos do filósofo Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, ou seja, se grande parte dos estudantes largarem a escola nas fases iniciais a chance de eles arrumarem um emprego estável e ter uma qualidade de vida boa é baixa. Partindo desse pressuposto, muitos não conseguem se sustentar e acabam entrando no mundo do crime, o que faz com que o índice de criminalização e violência aumente exorbitantemente. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a pendurar.                Portanto, garantir a permanência dos alunos nas escolas é um desafio para o Brasil atualmente que requer a criação de políticas públicas. Para tanto, é imprescindível que o governo – entidade máxima do poder – crie escolas em áreas afastadas e invista em transportes escolares para todas as cidades. Tal ação deve ser executada por intermédio das prefeituras municipais, com a utilização de verbas governamentais, a fim de reduzir o número de crianças e adolescentes que param de estudar devido a distância das escolas e a falta de meios locomotivos. Somente assim, será possível garantir a permanência dos estudantes nos colégios.