Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/01/2021

No fim do século XIX, Júlio Verne, em “2000 Léguas Submarinas”, vislumbrara para o futuro uma sociedade moderna, mergulhada na evolução e no otimismo. A pós-modernidade corrobora, em parte, para as projeções do autor, mas a ineficácia estatal e a compactuação da sociedade materializam a antítese da prospecção do escritor francês e fomentam a evasão escolar no Brasil.

Mormente, a ineficiência estatal consubstancia maiores desafios. Esse paradigma político alicerça-se na inação do estado para atender sua agenda fisiologista, que prioriza suas próprias causas em detrimento das demandas populacionais. Essa conjuntura governamental pode ser compreendida à luz da reflexão de Maquiavel, que desvelou a necessidade de o governante conduzir suas ações visando sempre perpetuar o seu poder, entretando, para reduzir o abandono escolar não parece ser a melhor opção.

Outrossim, a aceitação da sociedade é uma problemática a ser analisada. Sob essa análise, Michel Foucault em seu livro “Vigiar e Punir” disserta sobre a naturalização, processo pelo qual certos comportamentos, como deixar a escola para trabalhar, são tidos como naturais, por meio da intensa repetição. Nesse sentido, é factível concluir que parte da população não têm incentivos para permanecer nas instituições de ensino, já que, muitas vezes, por serem de famílias de baixa renda, é preciso trabalhar para ajudar financeiramente os familiares. Dessa forma, ao aceitar a evasão escolar para essa finalidade, tal comportamento torna-se natural.

Em suma, é necessária a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, urge que o Ministério do Trabalho, por meio de políticas públicas, promova um programa de geração de empregos com objetivo de proporcionar atividades produtivas capazes de gerarem postos de trabalho e renda, nos diversos setores da economia. Tal medida deverá ser feita com intuito de avultar o número de empregados e melhorar a renda do povo para não ser necessário que o estudante abandone sua escola a fim de ajudar a família. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação realize campanhas nas escolas, por intermédio da Secretaria Especial de Comunicação Social, que explicitem a importância dos estudos a fim de que os alunos entendam o valor do ensino. Dessarte, a sociedade contemporânea estará mais próxima do que Júlio Verne vislumbrou para o futuro.