Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/01/2021

A pensadora nigeriana Chimanda Adichie afirma que a ideia de mudar o status quo — ou seja, o estado das coisas — é sempre penosa. Nessa perspectiva, percebe-se uma inércia no estado de problemas como o da evasão escolar, visto que 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos deixaram a escola sem concluir os estudos de acordo com o IBGE. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema, que se enraíza no silenciamento e na base educacional lacunar.

Em primeiro plano, é preciso salientar que o silenciamento é uma causa latente do problema. De acordo com Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Entretanto, as pessoas estão acostumadas a viverem suas vidas com um véu em seus olhos, preferindo fingir que nada está acontecendo. A evasão escolar é um desses assuntos que não são falados abertamente, uma vez que os indivíduos preferem ocultar aquilo que está bem na frente deles.

Em segunda análise nota-se que a base educacional lacunar é um fator que dificulta a resolução da problemática. Segundo Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro as instituições de ensino só estão voltadas a passar conteúdos e informações levando jovens e adolescentes a abandonarem a escola por falta de interesse haja visto que os colégios estão muito menos direcionados ao desenvolvimento da cidadania e da autonomia dos alunos, muita das vezes a escola esquece que o ambiente escolar não é só um lugar de adquirir conhecimento e sim da preparação do aluno para a vida em sociedade.

Portanto, a grande mídia — como responsável pela construção cultural — deve criar um canal de comunicação sobre o tema, por meio do aplicativo telegram, a fim de informar propriamente a população usando áudios de especialistas. Tal ação deve também ser divulgada nos canais de comunicação convencionais e em outras plataformas digitais. Além disso, é necessário que as escolas mudem seu modo de ensinar para que a evasão escolar por falta de interesse diminua.