Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/01/2021

Em sua obra “Utopia”, Thomas Morus identifica a realização de um lugar perfeitamente harmônico, ideal e livre de problemas, no qual o bem-estar físico, social e mental é garantido. Entretanto, na atual conjuntura sociopolítica brasileira, a realidade vivida é o oposto àquela pregada pelo autor, já que problemas de cunho social, como a evasão escolar, são imbróglios para a concretização da sociedade referida. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto do trabalho infaniel e da gravidez precoce. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, a fim de serem solucionados.

Em primeiro plano, é preciso analisar o crescimento do labor na menoridade e a sua relação com a saída dessa faixa etária do ambiente educacional. Assim, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes têm seus direitos cerceados, como o da infância e o da educação. Dessarte, ainda conforme esse órgão, a situação é mais explícita nas camadas menos abastadas, o que faz com que o grau de escolarização das classes desfavorecidas diminua, a começar pelas pessoas com menores idades, as quais são obrigadas a abandonar o ensino escolar pela necessidade de contribuir com a renda familiar, de forma a completá-la. Sendo assim, é visível a negligência governamental na abordagem do entrave.

Outrossim, a observação dos casos de gestantes adolescentes evadidas dos ensinos fundamental e médio é indispensável. Deste modo, medidas públicas para a reversão das assertivas são necessárias. Com isso, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há, no território brasileiro, a cada ano, 400 mil casos de gestações antes do período físico adequado para a gravidez, número que se apresenta acima da média latino-americana. Logo, para que desenvolvam uma estrutura materna e familiar, estudantes que se tornaram mães precocemente são obrigadas a se retirarem dos sistemas de aprendizagem, as quais não almejam, já em condições possíveis, a volta da formação escolar por falta de interesse - dados da organização Todos pela Educação.

Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Por conseguinte, o Tribunal de Contas da União - instituição pública financeira -, aliado ao Ministério da Economina, deve promover a criação de um auxílio monetário concernente às familías pobres com membros infantis, com a complementação periódica da renda e com a distribuição de materiais didáticos gratuitos. Diante disso, alcançar-se-á um foco voltado aos estudos e às atividades estudantis e uma aproximação da sociedade utópica. Não obstante, é importante que o Ministério da Educação crie uma rede de atenção à gestante adolescente, para que essa específica parcela populacional seja reinserida nas escolas.