Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/12/2020
A Constituição Federal de 1988 - documento jurídico mais importante do país - prevê, em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o cenário educacional no Brasil, nota-se um aumento significativo da evasão escolar, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Nessa perspectiva, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais em propriciar um sistema educacional de qualidade. Dessa maneira, comprova-se isso por meio das dificuldades observadas na maioria das escolas públicas, como a infraestrutura precária e os baixos salários dos professores, refletido na falta de interesse dos alunos. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-de como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos universais, como a educação de qualidade e igualdade, o que até então é evidente no país.
Outrossim, vale salientar as desigualdade sociais como impulsionadora do aumento dos índices do abandono colegial brasileiro. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abandono escolar é oito vezes maior entre jovens de família de baixa renda. Diante do exposto, isso ocorre devido à vulnerabilidade socioeconômica de muitos estudantes que, por não possuírem recursos suficientes para prosseguirem os estudos, acabam abandonando a escola e inserindo-se precocemente no mercado informal. Assim, é essencial que haja uma intervenção para conter esse revés.
Infere-se, portanto, que é fundamental a adoção de medidas capazes de mitigar o combate a evasão escolar no Brasil. Logo, o Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, deve reformular a maneira de ensino nas escolas brasileira, por meio de visitas gratuitas aos laboratórios de universidades públicas e palestras acadêmicas que utilizem recursos inovadores, como jogos, com o objetivo de modificar o cenário hordieno, com o apoio de educadores e sociólogos capacitados. Nesse sentido, o fito de tal ação é assegurar a permanência dos estudos no cotidiano dos jovens e garantir o acesso a uma educação de forma igualitária. Somente assim, torna-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.