Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/12/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura à população o acesso a um serviço de educação de qualidade para todos os cidadãos brasileiros. No entanto, percebe-se que esse ideal democrático não é assegurado na prática, uma vez que a realidade da evasão escolar no Brasil configura-se como uma problemática que precisa ser combatida. Dessa forma, entende-se que a displicência estatal com relação ao ensino público no país, bem como a forte desigualdade social apresentam-se como obstáculos que impedem a atenuação do problema.
Em primeira análise, o pensador Thomas Hobbes afirma que, “o estado é responsável por garantir o bem-estar da população”, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades no que diz a respeito aos investimentos nas escolas públicas, em consequência disso, um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série, segundo dados do Relatório de Desenvolvimento. Além disso, é válido salientar que vários jovens, muitas vezes, possuem a escola distante de casa, falta de transporte escolar, não ter adulto que leve até a escola, e a falta de interesse.
Ademais, outro aspecto relevante nesse contexto é a forte desigualdade social, segundo estudos feitos com dados do IBGE e do MEC, o grupo em maior risco de evasão escolar são jovens de baixa renda, em sua maioria negros, que trocam , com frequência, os estudos por um trabalho precário. Sob tal ótica, muitos jovens por apresentarem dificuldades financeiras em casa, acabam optando por trabalhar ao invés de estudar, como forma de ajudar os pais em casa. Dessa maneira, é evidente que os jovens necessitam de melhores oportunidades, e que o Estado, além de combater a desigualdade social, na busca por uma sociedade mais justa e igualitária, também deve auxiliar as famílias de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para diminuir o número de evasão escolar na realidade brasileira. Portanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE) - promover a construção de escolas públicas em comunidades carentes do país, como periferias, do ensino básico ao médio, para que todos tenham acesso à educação, além de garantir a manutenção da estrutura escolar e do transporte público escolar, visando um ensino de qualidade e uma maior frequências dos alunos nas aulas. Ademais, cabe a empresas públicas e privadas estimular e aumentar as vagas no programa Jovem Aprendiz, o que possibilita que o adolescente estude e trabalhe ao mesmo tempo. Logo, ele não precisará deixar a escola para trabalhar, porque já terá uma renda para auxiliá-lo.