Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/12/2020
Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim “A educação tem como objetivo suscitar e desenvolver na criança estados físicos e morais que são requeridos pela sociedade política”. Visto isso, é concebível mencionar que o conhecimento se mostra como um instrumento de poder, dada sua capacidade de promover intervenções socioespacias. Entretanto, observa-se que, na realidade brasileira, a evasão escolar ainda é recorrente em grande parte do estados nacionais. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, mas também devido ao desinteresse estudantil.
Em primeiro plano, é imprescindível verificar que a inércia do poder público é um entrave para uma formação educacional dos brasileiros. Consoante ao pensamento do filósofo Jean-Jacques Rousseau, na medida em que o Estado isenta-se de garantir os direitos fundamentais à vida, há um descumprimento do contrato social elaborado junto a uma sociedade. Dessa maneira, essa insuficiência do aparato educacional em garantir escolas com infraestrutura necessária para o aproveitamento desejável de aprendizagem, além da eminente dificuldade de locomoção em função da carência de transporte nos municípios, contribui para o descaso com a coletividade, o qual transgride um direito assegurado na Magna Carta de 1988: o acesso a educação.
Ademais, vale ressaltar que a anacrônica metodologia aplicada pelos educadores do país, apresenta íntima relação com a existência dessa problemática. Conforme o educador brasileiro Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, conceitua o termo “Educação Bancária” como a mera transmissão passiva de conteúdo do professor sobre o aluno, no qual o educador preenche com o seu saber a cabeça dos alunos. Seguindo essa linha de raciocínio, percebe-se que a desmotivação do aluno tem relação direta com a aplicabilidade do conteúdo, que na maioria das vezes é arcaico e sem contexto, aliado à indiferença dos pais em participar da vida escolar dos filhos, são alguns dos fatores que consolidam a desistência estudantil. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Nota-se, portanto, que o abandono escolar precoce tornou-se uma ameaça à cidadania na sociedade. Para resolver tal obstáculo, cabe ao Ministério da Educação elaborar uma diretriz de investimentos em instituições de ensino em todo o território nacional. Isso pode ser feito por meio da manutenção dos colégios públicos, juntamente com a criação de palestras e reuniões, na qual responsáveis e orientadores deverão debater sobre a importância do apoio da família no processo educacional, e para aqueles que não justificarem à ausência, o Conselho Tutelar deverá ser comunicado para agir imediatamente no caso. Para que, dessa forma, os jovens possam desfrutar das benesses advindas do estudo.