Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 11/12/2020

Na Idade Média, a sociedade feudal europeia era dividida em estamentos, nos quais o clero detinha o poder maior, a nobreza ostentava privilégios e os servos - maioria da população - praticamente não possuíam direitos. Então, restava-lhes apenas o trabalho compulsório e exploratório para subsistirem. Paralelamente, tem-se a realidade brasileira hodierna, a qual propicia uma grande taxa de evasão escolar - em 2014, 19% não concluíram o ensino médio em idade normal segundo o IBGE. Isso demonstra a desigualdade social advinda da má distribuição de renda e a falta de seguridade do direito à educação, o qual fica restrito apenas à uma parcela da população.

A priori, é fundamental evidenciar as condições de vida das famílias dos jovens que deixam as escolas haja vista que, a renda per capita inferior a um salário mínimo é fator determinante, o que demonstra a desestruturação econômica vigente. Logo, estabelece-se a impossibilidade do acesso à educação básica por parte dos indivíduos em idade escolar que precisam trabalhar para sobreviver - a saber que, mais da metade dos adolescentes entre 15 e 17 anos, os quais abandonaram os estudos, não concluíram o ensino fundamental. Desse modo, valida-se a existência da desigualdade na distribuição de riquezas, o que leva à um ciclo, no qual pessoas com baixa escolaridade, que concomitantemente trabalham em condições e remuneração precárias, geram filhos que terão a mesma situação social.

Outrossim, a negligência do Estado em assegurar o direito à educação está presente na ocorrência de gravidez na adolescência, que segundo estudos do MEC e do IBGE, é um dos fatores determinantes para a evasão escolar. Em suma, corrobora-se a falha na assistência educacional dos cidadãos baixa renda, uma vez que a falta de informações acarreta gestações em momento inadequado, o que impede a conclusão dos estudos e, assim, a possibilidade de melhoria de vida. Nesse sentido, o Governo deveria exercer o dever incumbido a ele pela constituição federal de 1988, em seu 6º artigo, que coloca a educação como direito de todos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver a problemática. O governo e o Ministério da Educação devem investir em programas de busca ativa dos alunos em situação de evasão escolar e promover estratégias para fornecer subsídios aos mesmos de acordo com a sua realidade familiar, por meio da criação de auxílios financeiros com o uso de parte do PIB, a fim de assegurar a conclusão do nível básico. Ademais, o Estado deve promover a disseminação de informações acerca de métodos contraceptivos e sexualidade, a partir de campanhas midiáticas e palestras nas escolas, para diminuir o número de gestações na adolescência, de modo a barrar o ciclo de baixa escolaridade. Somente assim, a sociedade brasileira se afastará da estrutura estamental, a qual caracterizou a Idade Média europeia.