Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/11/2020
A série televisiva da Globo, “Segunda Chamada”, aborda de maneira chocante os aspectos mais alarmantes da educação no Brasil, o enredo se caracteriza por apresentar a vida e dificuldades dos alunos de uma escola pública que faz parte do programa EJA (Educação para Jovens e Adultos). Fora da ficção, os entraves retratados na série espelham bem a realidade de muitos estudantes que não conseguem manter o estudo e abandonam a escola. Nesse contexto, essa vicissitude tem origem incontestável na negligência do Estado, bem como na desigualdade social.
De início, é importante destacar que a falta de ações efetivas do Poder Público contribui para o abandono educacional no Brasil. Segundo o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos, assim como dever do Estado de promover um conhecimento que vise ao pleno desenvolvimento pessoal e preparo para o exercício da cidadania. Contudo, não é o que se observa na realidade das escolas públicas, visto que os professores, pilar principal para uma educação de qualidade, não são devidamente valorizados, o que impossibilita de observar e assistir o aluno que enfrenta dificuldade para se manter no ensino. Dessa maneira, o resultado de uma educação precária produz raízes profundas, pois se perde não só uma mão de obra qualificada, mas também um cidadão capaz de agir em prol da coletividade.
Outrossim, vale ressaltar que a desigualdade social é um fator determinante para o afastamento dos estudantes brasileiros. De acordo com o estudo Aprendizagem em Foco, quanto maior a renda, mais os estudantes avançam nos estudos. Diante disso, pode-se perceber que a falta de renda adequada, a qual possibilita boa alimentação, saúde, moradia, transporte etc. tem peso crucial para o desenvolvimento educacional do estudante, e que impede que muitos alunos continuem na vida acadêmica, e consequentemente ficam submetidos a baixas oportunidades de emprego, assim como melhores condições de vida, sob essa análise, é imprescindível que haja ações efetivas para o combate dessa problemática.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação implementar um plano de aperfeiçoamento para capacitação de professores, por meio de bolsas de estudos em instituições de ensino específicas, e que possuam alto nível de qualidade, para que esses profissionais possam oferecer um trabalho mais assertivo e eficiente. Além disso, é essencial que o Ministério da Economia crie um programa de estímulo, por meio incentivos fiscais concedidos a empresas privadas, a fim de que essas corporações invistam e apoiem a pesquisa científica composta por alunos de escolas públicas, para que assim esses jovens se tornem autônomo na plenitude de suas habilidades.