Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/11/2020
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever da família, da sociedade e do Estado garantir o bem-estar da população mais jovem, principalmente com os aparatos educacionais. Entretanto, o fenômeno da evasão escolar, que é o abandono da vida acadêmica na educação básica, acomete a uma parcela específica da sociedade brasileira, tais como os pobres e periféricos. Assim, a desigualdade social, bem como a falta de bases familiares, atuam como causas dessa problemática.
Deve-se pontuar, de início, que a disparidade econômica fomenta a evasão escolar. Isso acontece porque não existe, no Brasil, uma democracia ampla que garanta a equidade de direitos. Dessa forma, motivos como a falta de representatividade política viabiliza o fenômeno do abandono, uma vez que os líderes governamentais não vivem, na prática, dentro dessa sociedade mais vulnerável, são incapazes de resolver certos impasses. Assim, com governos elitizados, torna-se evidente o porquê de o indicador de renda ser diretamente proporcional ao sucesso de uma pessoa concluir os ensinos mais básicos. De acordo com a filósofa brasileira Marilena Chauí: “A democracia deve ser um sistema de direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol de outro”. Então, devido à inexistência da igualdade, pobres e periféricos apresentam os menores índices de renda, bem como as maiores taxas de evasão escolar, fazendo isso para conseguir condições financeiras de sobrevivência.
Ademais, a cultura familiar cristaliza o desinteresse pelos estudos. Tal cenário acontece por conta do ciclo retroalimentado pela sociedade brasileira, pois há a persistência de mazelas arcaicas nas relações familiares. Nessa lógica, os familiares desses estudantes vulneráveis receberam a mesma educação negligente, o que favorece a cultura do não estudo, o que corrobora para a persistência do problema escolar em questão. Segundo o religioso Martinho Lutero, a família é a fonte de prosperidade e da desgraça dos povos, pois quando há uma ação familiar sólida, os jovens tendem a partir de preceitos e ensinamentos, o qual o inibe de cometer determinados atos. Destarte, sem o apoio necessário, os estudantes não encontram razão para continuar o rumo escolar e são facilmente desviados de um caminho emancipador, a educação.
Portanto, a sociedade civil deverá escolher líderes que estejam em ressonância aos ideais populares. Isso pode ser feito por meio de debates com os próprios políticos, partindo da participação direta do corpo social com auxílio de acadêmicos, para que esses responsáveis atuem nas causas da questão problemática abordada. Além disso, o Ministério da Família deverá criar ações que promovam a conscientização das famílias no que tange à importância dos estudos. Enfim, os casos de evasão diminuirão e os brasileiros usufruirão de experiências mais democráticas.