Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/11/2020
A Constituição Federal de 1988 assegura o direito de acesso à educação de todos os cidadãos brasileiros. No entanto, tal garantia é deturpada, visto que um número expressivo de jovens têm deixado os estudos. Esse cenário ocorre não só em razão da má localização das escolas públicas, mas também pela necessidade que alguns estudantes sentem de ter que ajudar economicamente seus pais. Logo, faz-se necessário a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar tais entraves e consolidar, de fato, os direitos constitucionais.
Em primeira análise, é preciso identificar as causas que levam ao aumento de evasão escolar. Nesse contexto, destaca-se a dificuldade de acesso à uma rede de ensino que as comunidades mais afastadas dos grandes centros sentem. Segundo o IBGE, em 2019, a região Nordeste se encontrava no estado mais crítico com 34,7% dos seus habitantes impossibilitados de atenderem uma escola devido a distância. Sob respectivo olhar, é lúcido relembrar a realidade da educação na Antiguidade, que era acessível apenas às classes dominantes. Dessa forma, a partir do momento que uma parcela da população é impedida de aprender, retomamos a uma realidade cruel, em que o aprendizado era um privilégio, de modo que, fere gravemente a lei, pois é um direito previsto na constituição.
Paralelamente, ainda é possível ver problemas de ordem financeira influenciando na decisão de abandonar os estudos. Sob essa ótica, é interessante citar o sociólogo, Pierre Bourdieu, o qual defendia a ideia de “habitus”, em que as ações sociais dos indivíduos são moldadas a partir de todo um contexto cultural dos grupos que estão inserido. Logo, pais mais instruídos tendem a incentivar seus filhos a buscar uma educação, pois entendem o potencial de mudança. Porém, é comum jovens que não se encontram na mesma realidade, sentirem a pressão de entrar no mercado de trabalho precocemente, ocasionando a perpetuação de um ciclo, uma vez que, possivelmente, não verão valor nos estudos e passarão o mesmo discurso aos seus filhos.
Diante do exposto, fico claro que a localização dos colégios dificulta que a educação seja mais democrática, bem como o contexto social econômico do estudante influi na sua permanência no ambiente acadêmico. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o IBGE, identificar as regiões no Nordeste mais carentes de redes de ensino - já que apresenta os dados mais alarmantes - e construir instituições em lugares estratégicos para atender uma parcela maior da população. Além disso, a criação de uma bolsa para os discentes de baixa renda, englobando alimentação, transporte e materiais didáticos, a fim de incentivar sua permanência na escola e para que, de fato, seu direito constitucional seja exercido.