Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 21/11/2020

Em sua música “Estudo Errado”, Gabriel o Pensador, critica um ensino obsoleto e ineficaz em que o aluno não quer frequentar a escola e consequentemente não tem nenhum aprendizado. Assim, como na música, o Brasil sofre com as consequências da evasão escolar na qual é um dos fatores que mais prejudica o bem-estar social e a educação pública, o que corrobora um agravante social. Ao avaliar as razões para tamanha adversidade vê-se a negligência estatal acerca dos fatores básicos que conduziriam os alunos a desejar estar na escola e com a falta de apoio de muitos famílias no tocante à formação educacional dos filhos. Desse modo, faz-se necessária medidas cabíveis à atual conjuntura.

É indubitável pontuar, inicialmente que muitos indivíduos deixam de frequentar o ambiente escolar em face de aspectos que indicam a destinação insuficiente de recursos à educação, como as condições físicas precárias de algumas escolas, a merenda escolar de baixa qualidade em algumas escolas, a falta de transporte público suficiente para vários estudantes de comunidades distantes dos grandes centros urbanos e a escassez de material didático básico em certos estabelecimentos. Essa denúncia constitui um grande contrassenso para um país que deseja evoluir socialmente. Sob esse prisma é importante mencionar a premissa do pensador contratualista Jhon Locke- " O Estado é responsável por conceder os direitos inalienáveis ao homem, por meio do contrato social". Sob esse sentido, é fundamental que o governo conceda ferramentas de estímulo aos estudantes para frequentarem o ambiente de ensino. Logo, é substancial uma atuação mais engajada quanto a esse impasse.

Outrossim, é imprescindível ressaltar o descaso doméstico com os estudos de diversos jovens agrava o cenário de evasão escolar. Sob esse prisma, muitos pais se utilizam dos filhos para o auxílio no sustento familiar, impedindo-os de frequentar as escolas e fazendo-os, com frequência, trabalhar de maneira informal, sem contribuir para a arrecadação de impostos, o que prejudica duplamente o país. Como consequências desse grave êxodo estudantil, destacam-se a suscetibilidade de mais jovens ao alcoolismo e ao consumo de entorpecentes ilícitos pela fragilidade de formação moral e intelectual, e a delinquência infantil intensificada pelo ócio, o que atrasa substancialmente o Brasil.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática. Para tal, cabe aos governos municipais, estaduais e municipais intensificar a destinação de verbas à educação pública, reformando e construindo mais escolas, realizando inclusão digital, tratando a alimentação saudável no ambiente escolar como prioridade supervisionada por nutricionistas, disponibilizando mais rotas para os estudantes periféricas e incentivando a produção de material didático pelos próprios professores, com o fito de reduzir a evasão escolar. Assim, contrariando a música “Estudo Errado”.