Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2020
Evasão escolar: a raiz das disparidades sociais
Na série “Segunda Chamada”, estrelada por Débora Bloch, é retratado o cotidiano dos professores de uma escola voltada à formação de adultos que não tiveram a oportunidade de finalizar os estudos durante a idade formal. Nesse sentido, a trama foca na luta diária desses profissionais para inserir a educação na rotina dos alunos em um espaço marcado pelo abandono estatal. Fora da ficção, a realidade apresentada pelo seriado é relacionada ao Brasil atual, visto que a evasão escolar vem ganhando força no cenário nacional. Sendo assim, é mister entender como a desigualdade social e o afastamento juvenil do ambiente estudantil formam cidadãos alienados e favorecem a criminalidade.
Em primeiro plano, menciona-se como a saída de jovens das instituições de ensino contribui para o avanço da descidadania no Brasil. Diante disso, há o filósofo Rousseau, o qual afirma a infância como o período de criação da personalidade de um ser, sendo as experiências dessa fase moldadoras do caráter. Dessarte, distantes dos espaços de aprendizagem, parte da mocidade brasileira não se conscientiza do papel e importância que possui para modificar a sociedade nacional. Assim, a evasão escolar, ao privar o contato com a educação, aparta essa parcela da juventude da função social que deveriam adotar para atestar o melhor exercício da nação e da cidadania.
Ademais, o egresso da vida acadêmica por uma parcela da população juvenil propulsiona a violência no país. Nesse contexto, cita-se Içami Tiba, o qual expõe que jovens sem acesso à educação plena deixam-se levar por aquilo que é vigente. Por conseguinte, o psiquiatra exibe que, sem a aprendizagem escolar, o indivíduo não solidifica valores morais dentro de si, o que o leva a perder a capacidade de analisar criticamente as situações que o cercam. Logo, a experiência brasileira, assolada pela disparidade social e pela dificuldade de ingresso no mercado de trabalho formal, seduz essa camada da mocidade afastada da vivência estudantil para o mundo do crime, visto como um meio de sobreviver.
Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de combater a evasão escolar no Brasil. Primeiramente, a Secretaria Nacional da Família, por meio da parceria com o Conselho Tutelar, deve promover maior comunicação e aproximação entre o núcleo familiar e as instituições de ensino. Isso auxiliará a adequação do ambiente de aprendizado às necessidades do aluno, o que reduzirá a desistência estudantil e reforçará a formação cidadã prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Além disso, o Ministério da Educação, a partir da cooperação com municípios, precisa assegurar o acesso à educação pública de qualidade, defendido pelo artigo constitucional 205. Desse modo, garantir-se-á uma vida mais justa e acessível quando comparada àquela da série “Segunda Chamada”.