Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2020
No livro, “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, é retratado um grupo de crianças de rua que comete pequenos delitos para poder sobreviver, sendo exposto na obra a falta de escolarização dos meninos. Paralelamente, vê-se que na realidade brasileira há lacunas no sistema educacional para incentivar a educação, ocasionando a evasão escolar. Esse nefasto cenário é acentuado não só pela desigualdade social, mas também pela negligência pública.
Em primeira análise, é válido salientar que as diferenças entre classes sociais está cada vez mais perceptível, principalmente no que tange ao acesso à educação. Dessa forma, devido à desorganizada urbanização no Brasil, ocorreu uma segregação espacial, em que o custo de vida em centros urbanos encareceu, impossibilitando a inserção de jovens de diferentes rendas em escolas nesses locais devido à dificuldade de sustento pelas famílias. Nesse sentido, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), surgem afirmando que há cerca de 2,4 milhões de crianças e adolescentes trabalhando. Logo, percebe-se que a necessidade dos jovens de auxiliar na renda familiar tem impulsionado os índices de trabalho infantil e colaborando para o aumento da evasão escolar em escolas brasileiras.
Sob outro prisma, percebe-se que há uma inércia por parte do Poder Público para incentivar o desenvolvimento educacional dos jovens. Destarte, segundo a Constituição Federal do Brasil, é dever do Estado garantir educação as crianças e adolescentes. Contudo, vê-se que tal garantia não é cumprida pois há mais de um milhão de pessoas que não concluíram o Ensino Médio. Consoante o filósofo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado como instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Desse modo, é notório que há uma negligência por parte do Governo Federal para obedecer o que foi proposto pela Constituição, fazendo com que a educação passasse a ser um mecanismo de opressão social, como exposto por Pierre.
Torna-se, portanto, essencial que o Estado estabeleça medidas para amenizar a vigente conjuntura. Urge, pois, que o Ministério da Justiça e Segurança Pública – órgão responsável pela defesa dos direitos constitucionais – crie projetos para atenuar os índices de trabalho infantil, por meio de verbas públicas. Dessa maneira, espera-se que a evasão escolar no Brasil diminua e, somente assim, a realidade distanciar-se-á da proposta por Jorge Amado em “Capitães da Areia”.