Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/10/2020

No romance autobiográfico “Infância”, Graciliano Ramos - romancista brasileiro - disserta sobre a importância da escolarização em sua juventude, bem como o seu papel fundamental na criação de sua paixão pela escrita. Entretanto, no Brasil vigente a evasão escolar tem sido realidade, ocasionando efeitos negativos na formação dos cidadãos e na garantia de direitos fundamentais. Desse modo, torna-se premente analisar os principais obstáculos dessa problemática:  a ausência da discussão de temas de relevância social e o sucateamento do ensino público.

Em primeira análise, é lícito postular que a falta de diálogo sobre aspectos sociais e atuais é indubitavelmente uma das causas do problema. Na música “Estudo Errado” do compositor carioca Gabriel o Pensador, o educar nacional é criticado pelo fato de não valorizar o saber coletivo hodierno, em contrapartida disseminar o pensar memorizante. Nesse raciocínio, Pensador expõe como é de fato a educação brasileira, a forma como ela é “bancária”,conteudista e verticalizada - conforme o pensamento do sociólogo Paulo Freire - o que a torna por vezes desinteressante e de difícil compreensão para muitos alunos. Torna-se clara, por dedução analítica, a potencial relação negativa entre a carência de debates de cunho comunal e o êxodo escolar.

Outrossim, em uma investigação mais aprofundada, deve ser considerado o sucateamento do sistema estudantil no país como um atentado aos jovens estudantes. No documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, dirigido pelo cineasta brasileiro João Jardim, é abordado os contrastes, obstáculos e efeitos no processo acadêmico do país por meio de visitas em colégios, desde o esquecido no sertão nordestino até o modelo de aprendizagem na zona nobre de São Paulo. Nessa ótica, por intermédio do documentário é de notória compreensão os efeitos nocivos da negligência com o sistema acadêmico, tendo em vista que ele promove a permanência das desigualdades e assim, não possibilitando uma formação plena dos jovens que não informados passam a desconhecer a importância de suas presenças em sala de aula.

Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias a fim de atenuar a evasão escolar no cotidiano das cidades. Logo, é imperativo que o Ministério da Educação (MEC), elabore avaliações bimestrais que consigam medir de forma mais eficiente a ausência dos alunos, além das motivações dos seus afastamentos, por meio da ajuda de instituições escolares de cada região, principalmente as mais afetadas pelo problema. A partir dessas intervenções, será possível estimar com mais exatidão e especificidade os obstáculos que impedem a desconstrução do impasse, para que então seja possibilitada a escolarização com qualidade, tornando-se possível a construção de novas paixões como a de Graciliano pelas letras.