Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 22/10/2020
A Constituição federal de 1988 assegura a educação como direito de todos, sendo um dever do Estado e da família. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que a realidade brasileira demonstra uma grande taxa de evasão escolar. Esse cenário é fruto tanto da falta de incentivo e apoio, quanto da desigualdade econômica. Diante disso, medidas atitudinais e estruturais são necessárias, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que, segundo uma matéria publicada pela Globo, uma prática aplicada em 54 escolas de Contagem diminuiu em 92% o índice de desistência nas mesmas. Nessa experiência, os professores passaram a dar suporte extraclasse e, também, humanizaram a relação, conhecendo os familiares e a realidade do aluno. Com isso, os resultados alcançados mostram que, muitas das vezes, o simples fato de conhecer a vivência do discente, ajuda o educador a facilitar a permanência do educando na instituição através do fomento e do suporte.
Ademais, é pertinente ressaltar que, idealmente, o sistema de ensino deveria oferecer igualdade de oportunidades para todos, para que a pessoa pudesse desenvolver seus potenciais. Entretanto, ele reflete a estrutura social do país. Nessa perspectiva, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11,8% dos jovens mais pobres abandonaram a escola sem concluir o ensino médio, enquanto o percentual é apenas 1,4 entre os jovens mais ricos. Diante disso, fica evidente que as instituições de ensino passaram a reproduzir, e acentuar, a desigualdade enraizada e normalizada no país.
Portanto, urge que o Ministério da Educação (MEC) crie, por meio da qualificação do corpo docente, um programa de amparo aos estudantes fora do ambiente escolar, com o intuito de humanizar o convívio e viabilizar a continuidade do aluno no instituto. Outrossim, cabe ao MEC criar programas mais efetivos de assistência social aos menos favorecidos economicamente. Somente assim, a pátria irá garantir o direito à educação à população.