Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 17/10/2020

No filme “Curtindo a Vida Adoidado”, de 1986, o jovem Ferris Bueller mente diariamente para sua mãe dizendo ir à escola, quando na verdade passeia com seu amigo e sua namorada. Fora da ficção, a realidade não é diferente da retratada na obra, visto que o abandono e, até mesmo, a evasão escolar são um grave problema na realidade brasileira. Com efeito, a fim de reverter esse cenário preocupante, há de se combater o precário sistema educacional e a desigualdade social como catalisadores dessa problemática.

Sob uma primeira análise, a falta de estrutura nas escolas impede que o problema da evasão escolar possa ser solucionado. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem de direitos imprescindíveis, como uma educação de qualidade. Nesse sentido, as precárias condições estruturais ofertadas, bem como a metodologia arcaica inviabilizam uma educação robusta e eficiente, o que distancia ainda mais os jovens da esfera educacional. Desse modo, enquanto a escola não se tornar um ambiente atrativo, seja ao oferecer condições mínimas, não é razoável uma evasão cada vez maior.

Por outro lado, a desigualdade social potencializa o abandono escolar. A esse respeito, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante, por meio do artigo 54, o oferecimento de uma educação ao infante. No entanto, esse princípio jurídico ainda está longe de ser experimentado na prática, visto que parcela significativa da população não tem acesso a esse direito de forma plena. Isso ocorre pela situação de vulnerabilidade social enfrentada por muitos indivíduos, o qual precisam trabalhar desde muito cedo e, assim, abandonam prematuramente a escola. Tal fato é provado pelos dados da UNICEF, que dizem que boa parte dos jovens que abandonam a escola possui renda per capita de até meio salário mínimo.

Fica claro, portanto, que a evasão escolar deve ser combatida. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, responsável por administrar as diretrizes educacionais do país, elaborar projetos de redução da evasão, por meio do oferecimento de assistência aos jovens em situação de vulnerabilidade social e, também, das reformas de centros de ensino, a fim de criar uma atmosfera de apoio que valorize a educação como um elemento transformador. Assim, a atitude errônea de Ferris possa permanecer apenas na ficção.