Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/10/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, o que se observa é que décadas após a implementação do ensino público no Brasil, por meio do presidente Getúlio Vargas, ainda é possível identificar cidadãos que não dão continuidade à escola. Hodiernamente, a evasão escolar impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios seja encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Precipuamente, é notório que a educação é o fator principal de um país. Todavia, ocupando a nona posição na economia, segundo o Banco Mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto e tal contraste é claramente refletido na atual organização social que tem suas bases centradas na divisão de classes sociais e na desigualdade social que incrementam as barreiras para dificultar a continuidade do ano letivo. Um estudo realizado pela UNICEF ( Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostra que 3,5 milhões de brasileiros abandonaram os estudos , sendo que 2 milhões estão próximos da linha da pobreza.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de planejamento do Estado como impulsionador do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações econômicas, políticas e sociais são características da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, na pós-modernidade é fulcral analisar que até a década de 40 do século XX, não se tinha o ensino público inclusivo, no entanto, de uma hora para a outra toda a população foi levada a encarar essa nova realidade sem nenhum planejamento específico para o caso brasileiro e sem nenhuma preliminar educacional, haja vista, que outrora apenas a elite tinha acesso a educação de qualidade.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Portanto, algo precisa ser feito . Logo, o Estado por meio do Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve instituir comerciais de conscientização , através de mídias televisivas, informar as consequências da evasão escolar para a sociedade e a implantação  de políticas públicas que favoreçam a continuidade escolar. Nesse sentido, o fito de tal ação é minimizar os altos índices de evasão escolar e garantir a formulação de um cidadão mais consciente. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois, conforme Gabriel o pensador “Na mudança do presente a gente molda o futuro”.