Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 15/10/2020
Segundo o pensador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse contexto, é notável que a educação tem um papel de fundamental importância par a sociedade, entretanto, a evasão escolar no Brasil atual vem crescendo significativamente. Esse quadro antagônico é fruto da ineficiência estatal em fornecer suporte para estudantes carentes e traz como consequência a acentuação da desigualdade social.
Cabe ressaltar, em primeiro plano, que para o filósofo contratualista John Rawls, o Estado tem o dever de garantir direitos básicos para a população, como a educação e o bem-estar. Entretanto, em desacordo com as ideias de Rawls, o Estado brasileiro falha em garantir o suporte necessário para que a parcela mais vulnerável da sociedade possa frequentar as escolas. Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(INEP), no ano de 2019 houve uma queda de cerca de quatro porcento no número de matrículas no ensino médio de todo o Brasil, o que demonstra a ineficiência estatal nesse setor.
Ademais, cabe pontuar o aumento da desigualdade social como uma consequência dessa adversidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), a maior parte dos jovens que evadem das escolas pertencem à classe mais pobre da população. Nesse contexto, é notório que sem o devido apoio, a parcela menos abastada da sociedade acaba por não ter o acesso à educação, algo previsto na Constituição Federal como um direito inalienável, direito esse fundamental para a amenização do problema.
Portanto, inquestionavelmente, medidas são necessárias para a solução do problema. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação(MEC), em parceria com as Secretarias de Educação, promulgue medidas para a solução do problema. Tais medidas devem se concentrar na parcela mais vulnerável, promovendo auxílios econômicos aos alunos necessitados, para que esses não precisem evadir da escola para, por exemplo, ajudar a família em situações de necessidade. Só assim a problemática poderá ser solucionada e os ideais de Rawls - pelo menos em parte - concretizados.