Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 09/11/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. O famoso trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade ilustra com clareza a atual situação da evasão escolar e da realidade brasileira. Nesse sentido, fica evidente que o ensino brasileiro tem enfrentado diversos desafios para a permanência dos jovens nas escolas, devido não apenas ao acesso limitado, como também à  disparidade socioeconômica. Desse modo, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes para reverter essa problemática.

Em primeiro plano, é válido destacar que a falta de acesso às escolas ainda é uma pedra que se infere em todos os estados brasileiros. Sendo, a principal causa desse problema a falta de escolas e vagas próximas às residência dos estudantes de áreas rurais e de periferias urbanas, além da  exiguidade do transporte público para os jovens dessas regiões. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 28,2% da população brasileira não tem acesso à educação, sendo que 34,7% corresponde a região nordestina, cuja qual mostrou-se a região mais restrita ao acesso limitado à educação. Consequentemente, esses jovens acabam privando-se do direito de estudar e tendo como única alternativa  o abandono escolar.

Em segundo plano, é oportuno salientar que a vulnerabilidade socioeconômica ainda é um problema que perdura na realidade brasileira, sendo este um dos principais obstáculos para a permanência dos jovens nas escolas. Segundo o IBGE, cerca de 13,27% dos jovens que estão em situação de evasão escolar são de vulnerabilidade socioeconômica. Esse resultado deve-se tanto à  carência de condições mínimas com alimentação, vestuário e higiene quanto à falta de estrutura em casa para realização dos deveres, como acesso a energia elétrica, internet, livros e cadernos. À vista disso,  esses adolescentes tendem a entrar no mercado de trabalho precocemente para tentar alterar  sua situação econômica, acarretando assim, no negligenciamento de seus estudos.

Infere-se, portanto, que o problema se mostra uma grande pedra a ser removida do caminho. Nesse viés, é responsabilidade do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, proporcionar investimentos para a construção de escolas e amplificação da rede de transporte escolar, além de racionalizar a oferta de vaga. Ademais, o Governo Federal em parceria com empresas privadas deve proporcionar programas que visem prover as necessidades básicas de famílias de baixa renda, condicionando apoio financeiro à frequência escolar.  Por fim, consoante ao grande educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

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