Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2020

Como aprendido em aula, o Brasil apresenta, correntemente, uma pirâmide etária adulta, caracterizada pelo baixo número de crianças e idosos em relação a uma maior massa de adultos. Esse segmento preza pela educação profissionalizante, a qual garante o desenvolvimento econômico. Todavia, deve-se valorar, primordialmente, o desenvolvimento social. A evasão escolar é, pois, problemática e suas causas refletem um sistema falho ante as desigualdades.

Assim, o filósofo Michel Foucault, em “Vigiar e Punir”, aponta a escola como uma instituição estatal afetada pela lógica disciplinar capitalista, incoerente com a realidade desigual brasileira. Ademais, há de se notar a disseminação de uma ideologia libertária que varreu um mundo crescentemente crítico, marcado por duas guerras mundiais. Isto é, passada a fase de heteronomia infantil, o adolescente contemporâneo é mais autônomo. Ao trazer-se essa ideia ao país, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam para uma maior evasão escolar justamente entre os jovens de quinze a dezenove anos. A autonomia da recusa, enfim, alia-se a problemas sociais, como a distância entre escola e casa, o passado familiar de evasão, violência, gravidez precoce. Simplesmente propagar a mensagem vazia da “educação libertadora” não há resultados, uma vez que o jovem deve entender as causas desta máxima, estimulado por políticas inovadoras a um sistema em carquilhas.

Vale lembrar que a Constituição alicerça a educação no desenvolvimento pleno do cidadão. Conclui-se que a prática deve desenvolver desde a curiosidade até as habilidades socioemocionais (empatia e comunicação) do estudante, segundo o economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, Ricardo de Barros. Outrossim, um jovem brasileiro contemporâneo que não compreende os benefícios do diploma, aquele de classes de baixa renda, negros e pardos, como demonstrado por pesquisa do mesmo instituto, não é motivado por aulas de Português e Matemática. O pensamento prospectivo, ainda, assinalado pelo sociólogo Jessé Souza como próprio das classes médias, é privado justamente das classes mais baixas. Adolescentes como esses não criam perspectivas de futuro, submetem-se a compor a massa de desempregados e informais sem individualidade, limitados pela sobrevivência. Uma boa educação garante uma vida confortável e um país próspero em cidadania deve, pois, apregoá-la.

Em suma, o Brasil é acometido por um sistema educacional inidôneo às desigualdades sociais e, portanto, nada atrativo aos jovens. Cabem, portanto, aos educadores e sociólogos, através de uma reforma no sistema educacional, seduzir esses jovens para incutir-lhes um “lugar no mundo”, antípoda de um brasileiro inferiorizado pelas opressões cotidianas, em um espaço de consciência política - capaz de alterar sua realidade. A presença de mais atividades esportivas, por exemplo, seria um bom começo.