Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 26/09/2020
Durante a Segunda Revolução Industrial, o modelo de produção intensiva foi imposto à sociedade. Isso ocasionou a grande oferta de empregos e, por conseguinte, a desvalorização dos salários. Com isso, famílias inteiras - incluindo crianças e adolescentes - necessitavam de uma maior dedicação às longas jornadas trabalhistas, para proverem o sustento dos seus familiares. Essa circunstância, no Brasil, ocasiona a evasão escolar, já que, pela necessidade de cumprirem trabalhos exaustivos, inúmeras pessoas em idade de frequentarem as escolas são desestimuladas a concluírem o ensino básico. Acresce que, os fatores locacionais e estruturais das escolas são insuficientes frente à demanda do país.Nesse sentido, é necessário um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses existentes para a permanência dos indivíduos nas escolas sejam sanados.
A priori, consolida-se a ideia da escritora francesa Françoise Héritier acerca de o mal começar com indiferença e resignação, baseado na conjuntura de que o Estado é displicente na gestão dos seus recursos financeiros para a população - como a distribuição de auxílios alimentação e educação. Com isso, diversas famílias contam com o trabalho infantil - que é ilícito, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente- dos seus membros. Dessa forma, jovens e crianças, devido à exaustão das, longas jornadas laborais, são estimuladas a abandonarem seus estudos .Por consequência ,essas pessoas, quando adultas, devido à baixa qualificação profissional, dificilmente conseguem alocação no mercado de trabalho, o que perpetua o cenário de escasso poder econômico.
A posteriori, convém ressaltar o pensamento de Karl Marx sobre o governo gerir apenas os negócios comuns à burguesia, visto que as escolas com maior oferta de vagas e com as estruturas próximas às casas da maior parte dos alunos estão em bairro de classe média alta. Nesse contexto, a precariedade de acesso ao sistema educacional das classes baixas, ora motivada pela falta de vagas, ora pela distância diária enfrentada pelos alunos até as escolas - como moradores de comunidades ribeirinhas que ficam horas nos barcos -contribui para que, novamente, haja a evasão escolar.
Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos impasses existentes. Cabe, portanto, ao Ministério da Economia a extensão de programas de ajuda financeira, como o Bolsa Família, por meio de uma emenda constitucional, com o objetivo de atender às necessidades financeiras das famílias e, assim, estimular o retorno dos trabalhadores infantis às escolas; e ao MEC a melhoria da gestão dos recursos educacionais, a fim de ampliar a oferta de vagas próximas às casas dos indivíduos em idade escolar. Com isso, o Brasil estimulará a permanência dos alunos nas escolas cada dia mais.