Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/09/2020

De acordo com o artigo 205 da Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, “a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família”. No entanto, no Brasil, não é isso que se observa na prática, haja vista que a evasão escolar tem impedido que uma parcela da população usufrua desse direito. Desse modo, é necessário compreender como o desinteresse e a situação socioeconômica, fomentam o problema.

Primeiramente, é preciso destacar a falta de interesse, dos alunos, como uma das raízes do empecilho. Nesse sentido, percebe-se um anacronismo no modelo educacional, no qual as escolas, em sua maioria, não acompanharam os avanços tecnológicos, mantendo uma estrutura rígida, conteudista e verticalizada de ensino. Decerto, como afirma o educador Paulo Freire, essa “Educação Bancária”, que prioriza o conteúdo em detrimento da forma, acaba distanciando o que é repassado, pelas instituições, daquilo que a sociedade e o mercado exigem. Dessa forma, ocorre uma diminuição na sensação de pertencimento que, aos poucos, promove um cenário de abando estudantil.

Somado a isso, muitos adolescentes deixam de lado o ensino regular para trabalhar. Nessa perspectiva, a necessidade financeira exige que os discentes desenvolvam uma atividade laboral, com o intuito de complementar na renda familiar, mas isso promove um distanciamento da escola, tendo em vista a dificuldade em conciliar as duas atividades. De fato, o panorama brasileiro acaba agravando essa situação, pois, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o país possui 12,9 milhões de desempregados. Entretanto, essa ação paliativa, no âmbito financeiro, é prejudicial, já que gera um circulo vicioso, no qual o jovem, devido à baixa qualificação, não consegue competir no mercado de trabalho, além de permanecer com uma renda inferior. Demonstrando, assim, a necessidade de intervenção.

Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas, a fim de atenuar a evasão escolar brasileira. Nesse espectro, o Ministério da Educação, com vistas a aumentar o interesse dos jovens, pode reformular a Base Nacional Comum Curricular, por meio da contratação de especialistas em metodologias ativas de ensino, incluindo aulas práticas e direcionadas aos anseios atuais, causando um aumento na sensação de pertencimento. Em adição, o Ministério da Economia, pode ampliar programas como o “Jovem Aprendiz”, de forma a vincular a inclusão no mercado trabalho aos índices de frequência e desempenho acadêmico, para manter ativo esse vínculo com a escola. Dessa maneira, garantir-se-á que os direitos não fiquem apenas no papel.