Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 23/09/2020

Segundo um dos presidentes da África do Sul, Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Entretanto, mesmo com a tamanha importância do ensino na formação intelectual, moral e crítica de um indivíduo, esse setor da sociedade apresenta muitos desafios, sendo a evasão escolar um desses impasses. Dessa forma, os principais fatores que corroboram esse abismo social são: trabalho infantil e o  método de ensino pragmático e pouco inovador.

Em primeiro plano, segundo o sociólogo Émille Durkheim, anomia social é um termo que retrata o estado de caos o qual uma comunidade vivencia. Nessa ótica, a evasão escolar é considerada uma das mazelas que mais atrapalham o desenvolvimento de uma nação, haja vista a sua direta relação com o baixo nível cultural, crítico e cognitivo de um povo. Ademais, é válido pontuar que o trabalho infantil é um dos fatores que impedem a plena frequência das crianças nas escolas, afinal, muitas famílias brasileiras dispõe de baixos recursos financeiros para a sobrevivência, e , na maioria das vezes, a única opção para conseguirem se alimentar é colocando os filhos para trabalhar. Logo, por esse motivo muitos alunos largam os centros educativos nos primeiros anos de estudo e, por isso, não aprendem a ler e a escrever e não possuem habilidades para desenvolver contas matemáticas, contribuindo, assim, na geração de uma juventude analfabeta e pouco instruída.

Em segundo plano, de acordo com pesquisas do IBGE, 75% dos jovens entre 18 e 24 anos estão atrasados na séries escolares ou desistiram de concluir os estudos. Nesse ínterim, ao se deparar com dados como esse, percebe-se que a a realidade da educação brasileira é preocupante. Nesse contexto, é importante frisar que o desestímulo por parte dos próprios alunos em frequentarem as escolas é um dos motivos que fortificam a evasão escolar, pois, o método de ensino aplicado nos centros educativos é massivo, pouco interdisciplinar e repetitivo. Além disso, a falta de qualificação de professores para atuarem nas salas de aula do país também é um problema, pois, a maioria deles transmitem a matéria de forma obsoleta, sem nenhum tipo de inovação tecnológica, dinamicidade, rodas de debates e pesquisas acerca da temática, o que acaba por desmotivar a busca pelo conhecimento dos alunos.

Destarte, cabe às escolas adotarem o modelo de ensino politizador a fim de que , desde a mais tenra idade, as crianças sejam educadas por meio de aulas dinâmicas e inovadoras, compartilhamento de matéria através de rodas de conversa e trabalhos em grupo, com o intuito de tornar o ensino algo prazeroso e fomentar nos alunos a busca incessante pelo aprendizado, formando, assim, futuros adultos críticos e conscientes. Ações como essas atenuarão os índices de evasão escolar no Brasil e formarão uma sociedade apta para participar de maneira efetiva da vida em comunidade.