Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/09/2020

Na série “Segunda Chamada”, produzida pela Rede Globo, é mostrada como é a realidade das escolas brasileiras. Apesar de ficcional, ela aborda um grave problema do sistema educacional nacional: a evasão escolar. Nesse contexto, faz-se necessário pontuar os principais causadores do imbróglio - como a ineficácia do Poder Público e como a falsa ideia de que o mercado informal é uma boa opção -, a fim de que seja possível superar tais desafios.

A princípio, é indubitável que o Governo é o gerador basilar do abandono da sala de aula por parte dos estudantes. Nessa esteira, o filósofo indiano Amartya Sen afirma que o Estado tem a obrigação de assegurar o bem-estar da sociedade. Contudo, no que tange ao fornecimento de uma educação de qualidade, essa função não é exercida. Destarte, os alunos veem o ambiente escolar como um simples passatempo e não como uma importante ferramenta de evolução social, como deveria ocorrer. Dessa maneira, há um severo estímulo à deserção discente.

Ademais, é incontrovertível que muitas das pessoas que deixam de estudar são motivadas pela ilusão de que os empregos informais são mais vantajosos. Acerca disso, o pensador alemão Karl Marx aponta que os donos dos meios de produção farão de tudo para que os trabalhadores sejam explorados ao máximo. Assim sendo, é extremamente mais vantajoso que os cidadãos não tenham formação adequada. Consequentemente, terão de trabalhar mais e ganharão menos. Dessa forma, os patrões - que prometem bons rendimentos e ascensão rápida - atuam na contramão do prometido e estimulam o entrave social.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar o quadro deletério. Dessarte, o Ministério da Educação - órgão que prima pela qualidade de ensino no Brasil -, por meio de parcerias com as Prefeituras Municipais, deve reformar o sistema de educação vigente. Tal medida, com o fito de evitar a evasão, dar-se-á com a implementação de matérias que priorizem a prática e não a teoria e, além disso, com a adoção de disciplinas profissionalizantes. Fora isso, a Mídia deve veicular, em horário nobre, propagandas que desestimulem a informalidade nas relações empregatícias. Assim, a escola passará a ser um local de aproveitamento real e não de meras repetições de fórmulas. Logo, casos como o da série “Segunda Chamada” resumir-se-ão à ficção.