Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/09/2020
O filme “O menino que descobriu o vento” da Netflix, conta a história de William, o qual enfrenta diversas dificuldades para continuar estudando por conta própria, pois sua família não tinha condições de pagar sua mensalidade escolar. Não distante da ficção, mesmo com a existência de milhares de escolas públicas no país, a evasão escolar ainda faz parte da realidade brasileira, sendo consequência, principalmente, da desigualdade social e do modelo de ensino persistentes no Brasil.
Em primeiro lugar, cabe analisar o impacto da desigualdade social na educação dos brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a evasão escolar é oito vezes maior entre jovens de baixa renda, nessa perspectiva, o sociólogo francês Pierre Bourdieu afirma que os indivíduos incorporam o padrão imposto a sua realidade, naturaliza e os reproduz. Sob tal ótica, uma criança que cresce em um ambiente no qual é comum abandonar a escola para trabalhar e ajudar na renda familiar, não os estudos como prioridade na sua vida, apresentando uma maior tendência a largá-la. Portanto, a persistência da disparidade econômica no Brasil atua como agravante para o problema, devendo ser combatida.
Outrossim, a persistência do modelo tradicional de ensino contribui para o aumento das evasões. A revolução técnico-científica trouxe consigo mudanças sociais, nesse sentido, de acordo com o sociólogo alemão Norbert Elias, conforme essas alterações acontecem, as cadeias de interdependência se tornam mais complexas, exigindo que antigas relações sejam substituídas por novas. Contudo, a maioria das escolas brasileiras ainda seguem o método clássico de ensino, no qual exige, diariamente, que os estudantes fiquem, por horas, sentados em salas de aula, ouvindo ao professor. Fato esse, que pode desmotivar uma geração acostumada com a velocidade e praticidade da internet, a frequentar tal instituição e contribuir para o seu abandono.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para se combater a persistência da evasão escolar no país. Para tanto, o governo pode, por meio do Ministério da Educação, investir no programa já existente de ensino médio integrado, aumentando o número de escolas que disponibilizam essa opção, o qual pode ser realizado em parceria com ONGs e instituições que ofereçam cursos técnicos, como o Sebrae, a fim de torná-las mais atrativas para estudantes que querem e precisam começar a trabalhar cedo. Além disso, deve oferecer treinamento para professores a respeito da inclusão das novas tecnologias e métodos de ensino dentro da sala de aula, tornando-a mais interessante. Para que assim, se reduza o abandono da educação no país e mais jovens possam estudar, como desejava William.