Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 25/09/2020
Os projetos educacionais adotados pelo presidente da época Getúlio Vargas, a partir de 1930, foram de grande importância para o avanço da democratização do ensino nacional, como a criação de várias escolas. Entretanto, ainda hoje, a educação enfrenta diversos impasses, a exemplo da crescente evasão escolar, a qual é propiciada pelo descaso do Poder Público e o desinteresse estudantil. Nesse sentido, urgem medidas para diminuir tais impasses danosos para o bom funcionamento social.
A princípio, ao averiguar o imbróglio supracitado, depreende-se que o descaso estatal corrobora sua ampliação. Nesse viés, em pesquisa do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), estimou que das 50 milhões de pessoas com 14 a 29 anos, 20% não tinham terminado alguma das etapas da educação. Desse modo, tal estimativa expõe que o Governo não detém de uma infraestrutura adequada para os estudantes, com escolas sucateadas, além da escassez de políticas públicas de melhorias efetivas. Portanto, a continuação da saída precoce dos indivíduos em razão da negligência acerca de condições indispensáveis na educação fomenta a marginalização no mercado de trabalho e, posteriormente, um atraso econômico nacional bem como o aumento na desigualdade social.
Outrossim, é de suma relevância evidenciar o desinteresse estudantil como fator de expansão do empecilho aludido. Nessa perspectiva, o famigerado pedagogo brasileiro Paulo Freire defende no livro “A Educação do Oprimido”, que o ensino é uma forma libertadora cujo objetivo é despertar a criticidade do aluno e consciência social. Todavia, ao equiparar com a realidade nacional, nota-se que muitos alunos não se veem como protagonistas do processo de aprendizagem, uma vez que a falta de incentivo leva-os a não se sentirem pertencentes desse ambiente. Por conseguinte, a saída compromete o desenvolvimento intelectual e cultural individual, criando pessoas vulneráveis.
Assim, diante os fatos elencados, intervenções capazes de atenuar a histórica evasão escolar devem ser empreendidas. À vista disso, as ONGs estudantis aliadas à mídia devem realizar petições civis, por meio dos canais de comunicação, que cobrem do Estado o investimento na didática básica, com a garantia de uma infraestrutura decente e projetos em zonas marginalizadas, a fim de mitigar tal descaso. Ademais, o Conselho Nacional de Educação necessita investir em projetos nas escolas, através de treinamentos com profissionais altamente capacitados, que incentivem a ministração de aulas mais interativas e dinâmicas, com efeito de efetivar a pedagogia libertadora como em “A Educação do Oprimido”.