Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 01/11/2019
Em 1930, o presidente Getúlio Vargas adotou políticas educacionais que foram de grande importância para o avanço da emancipação do ensino, com a criação de escolas e academias para formação de professores. No entanto, no panorama contemporâneo, a formação educacional encontra desafios advindo, principalmente, da evasão escolar fruto da obsolência do ensino e da inoperância estatal- sobretudo no que se refere à garantia da educação universal. Logo, é fundamental analisar esse cenário para desconstruir essa realidade.
Em primeiro plano, é importante destacar o modelo anacrônico da educação contemporânea. Sob essa ótica, segundo o sociólogo Manuel Castells, a aprendizagem na maior parte das escolas é obsoleta, haja vista que insiste em reproduzir uma pedagogia baseada na transmissão de informações. Nesse sentido, os alunos não são instigados a refletir e criar diálogos como sugere o método socrático, no qual professor deve conduzir o aluno a reflexão e descoberta dos próprios valores. Desse modo, a monótona transmissão de conhecimentos contribui para evasão escolar que, de acordo com o Programa Nacional de Educação, alcança, aproximadamente, 11% dos alunos matriculados nas redes de ensino de todo o país.
Outrossim, vale ressaltar que, para o filósofo J.J Rousseau, o Estado surge para mediar às relações e evitar que as desigualdades tornem-se verdadeiros abismos sociais. Entretanto, o Estado não cumpre com seu papel social, visto que o cenário de ensino é desigual e desoportuno. Nesse aspecto, de acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no Brasil, cerca de 21% dos adolescentes entre 15 e 17 anos, infelizmente, trabalham e estudam ao mesmo tempo. Decerto, essa realidade se qualifica como uma das causas da evasão escolar, uma vez que tudo começa pela vulnerabilidade socioeconômica da família, na qual os filhos tem que trabalhar para ajudar na renda familiar, demonstrando a necessidade de ações governamentais mais efetivas.
Entende, portanto, que para mitigar a evasão escolar no Brasil, urge que o Governo Federal, por meio das Secretarias Municipais de Educação, reavalie a proposta pedagógica e metodológica de ensino, inserindo na grande curricular das escolas aulas e debates que instiguem à reflexões e autoconhecimentos, como sugere o método socrático, com o intuito de que as aulas fiquem mais interessantes e didáticas, assim, incentivarão os alunos a permanecerem nas escolas. Ademais, cabe ao Estado ampliar programas, como Bolsa Família, para que, desse modo, não haja a necessidade de os jovens abandonarem a escola para trabalhar. Dessa forma, será possível caminhar para a emancipação do ensino, como planejou o ex-presidente Getúlio Vargas.