Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2019

Na obra “Quarto de despejo: diário de uma favelada” a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, teve que abandonar a escola ainda no ensino fundamental pela necessidade de trabalhar. No contexto contemporâneo brasileiro, assim como na obra, observa-se a alta taxa de evasão escolar, sendo necessário, portanto, discutir a problemática. Desse modo, vale pontuar como a desigualdade corrobora o dado bem como as consequências da evasão escolar no cenário tupiniquim.

A priori, a grande desigualdade socioeconômica existente no Brasil culmina na disparidade de acesso ao ensino. Sob essa ótica, apesar da Constituição Federal garantir a todo cidadão o direito a educação de qualidade, a disparidade torna maior parte da população, em concordância com o escritor Gilberto Dimenstein, “cidadãos de papel”, isto é, tem seus direitos garantidos no papel mas na prática eles não são, de fato, efetivados. Isso acaba por deixar os indivíduos, sobretudo de camadas pobres, sem acesso eficiente ao ensino, aliado ao fato de que, por vezes, ele não está pautado nas reais necessidade do estudante que, sem ver a aplicação prática do estudado em sala de aula tende a diminuir o interesse nos estudo e acaba abandonando a escola, além da necessidade de ajudar os pais na renda familiar.

Ademais, é preciso destacar que o capitalismo moderno têm deixado o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e qualificado. Diante desse viés, surge uma das principais consequência da evasão escolar: a baixa qualificação profissional e a consequente inserção no mercado de trabalho informal. Assim, o indivíduo acaba sendo submetido, por vezes, a péssimas condições de emprego, com alta carga horária e baixo salário. Todo esse cenário, por conseguinte, tornar-se um ciclo vicioso em que os pais, sem um emprego estável, precisam complementar a renda com ajuda do trabalho dos filhos que acabam tendo que sair da escola e o ciclo se reinicia. Portanto, ação do governo na expansão das políticas sociais destinadas a essa parcela da população é essencial.

Destarte, cabe à Gestão Federal, responsável por garantir o bem estar da população, investir na minimização das desigualdades sociais. Isso deve ser feito por meio, além da promoção de educação de qualidade, da oferta de benefícios financeiros a famílias carentes que possui filhos na escola, com o objetivo de que as crianças e adolescentes não precisem abandonar a escola para ajudar na manutenção financeira da família e tenham por meio dela, uma perspectiva de acensão social. Outrossim, é mister que o Ministério da Educação promova uma capacitação para os professores para que, além do ensino teórico da matéria, eles orientem como ela é aplicada na realidade a fim de que o estudante tenha interesse em continuar estudando já que verá a aplicação real do conteúdo. Fazendo isso, casos com o de Carolina Maria de Jesus serão minimizados do cenário brasileiro.