Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2019

De acordo com o sociólogo germânico Hegel, o Estado tem deveres parentais para com seus cidadãos e deve prover-lhes serviços de qualidade. Com base nisso, o Estado brasileiro -em função de sua negligência e parcos investimentos- tem sido um pai ausente para o ensino no país, este que enfrenta cada vez mais casos de evasão escolar, principalmente em jovens com baixa renda.

Primeiramente, é importante destacar o porque de jovens em condições de vulnerabilidade econômica evadirem mais: majoritariamente, tais adolescentes largam os estudos para entrar no mercado de trabalho e, por necessidade, incrementar a renda de suas famílias. Contrapondo isso, a teoria de Platão defende, corretamente, que mérito não é uma virtude genética e todos, até os mais pobres, tem direito aos estudos. Assim, a cruel desigualdade social nacional mostra ser a causa da manutenção do status quo.

Entretanto, a própria educação é o fator diferenciador da supracitada desigualdade social. Em concordância com a teoria de Paulo Freire, a educação desempenha um papel libertador para o oprimido, ou seja, ela concede às camadas menos favorecidas da população uma chance de fazer diferente e dar as gerações vindouras uma vida diferente da sua. Portanto, evitar a evasão hoje também contribui para a queda de tal taxa no futuro.

Visto isso, fazem-se necessárias medidas para amenizar o problema. O Governo Federal, através de parceria com a iniciativa privada, tem o dever de criar postos de trabalho, para estudantes de baixa renda, com horários que não sobreponham sua jornada escolar e pagamentos dignos, que permitam auxiliar na renda familiar e, mesmo assim, manterem-se na escola com desempenhos aceitáveis. Então, com a principal causa da evasão escolar amenizada, todos os jovens, sem distinção de classe social (a exemplo dos ideais de Platão) poderão entrar no mercado de trabalho de forma digna e ajudar a fazer do Brasil um país melhor.