Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2019

O livro ‘‘Quarto de despejo’’,escrito pela famigerada literata Carolina de Jesus, retrata as dificuldades enfrentadas pela autora e seus três filhos, que a levaram a abandonar seus estudos para conseguir um emprego. Analogamente, a obra citada evidencia a crescente evasão escolar no Brasil, posto que reflete a realidade também vivenciada por diversos brasileiros. Sob tal ótica, considerando a ausência de perspectiva de futuro e o sustento familiar, torna-se irrefutável que a desigualdade econômica é determinante na problemática. Assim, analisar tais fatores é essencial para compreender esse panorama caótico.

A priori, é impreterível postular que o desinteresse dos educandos pelo ensino agrava a fugacidade estudantil. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do sociólogo Pierre Bourdieu, no qual ele afirma que as pessoas fazem escolhas influenciadas por sua situação econômica e social, ou seja, a partir do contexto que está inserido. Nesse segmento, sabendo que muitos brasileiros sentem-se marginalizados e presos a realidade que vivem, eles acabam não valorizando o ensino oferecido, dado que não identificam nos estudos uma solução para seus problemas. Por conseguinte, não desenvolvem uma perspectiva de futuro e optam por sair do centro educacional.

Outrossim, é relevante salientar, também, que muitos indivíduos abandonam a escola para ajudar a família economicamente. Com base nisso, é válido citar o ‘‘Contrato Social’’ de Rousseau, que explicita a responsabilidade do Estado de garantir o bem-estar dos cidadãos. Sob tal viés, analisando que inúmeros indivíduos vislumbram a necessidade de deixar a escola, faz-se evidente que o governo não está proporcionando o apoio preciso para impedir essa consequência. Sendo assim, diversas pessoas de classes carentes, desistem de frequentar a escola para contribuir no sustento familiar, corroborando para o aumento exponencial da conjuntura.

Destarte, medidas para mitigar a crescente evasão escolar são indubitáveis. Para tanto, é imprescindível que o ministério da educação transforme as escolas em ambientes mais atrativos. Isso seria efetivado por meio do direcionamento de verbas, que possibilitaria a elaboração de atividades educativas relacionadas, por exemplo, ao esporte ou ao artesanato. Por fim, essas medidas visam que os alunos sintam-se acolhidos e valorizados pela instituição. De modo complementar, as escolas devem apresentar palestras que mostre aos estudantes a importância de uma vida acadêmica. Ademais, o ministério da economia deverá desenvolver um projeto que conceda a famílias carentes, que mantiverem suas crianças e adolescentes estudando, um valor mensal extra para apoiar economicamente.