Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
Para o iluminista Immanuel Kant, o ser humano é fruto da sua educação. Nesse sentido, os estudos assumem um papel fundamental, posto que são essenciais para a construção do indivíduo. No entanto, no Brasil, a evasão escolar é uma problema persistente, ocasionando o déficit do ensino e da formação pessoal. Nessa perspectiva, é irrefutável que o problema em pauta alcança, sobretudo, os setores humildes da sociedade, bem como provoca consequências graves aos envolvidos. Portanto, é imprescindível o combate dessa adversidade, para que o ambiente escolar e o desenvolvimento identitário sejam mantidos e resguardados a todos.
Cabe ressaltar, em primeira instância, que são muitos os fatores que colaboram para a evasão escolar no contexto vigente. Sob essa análise, os problemas familiares, como também o trabalho infantil demonstram o boicote à educação de crianças e adolescentes. Analogamente, no filme “Escritores da Liberdade”, é evidenciada a vida conturbada de vários estudantes, os quais se encontram na iminência de abandonar os estudos. Infelizmente, é habitual a incidência desses casos na realidade brasileira, uma vez que acometem as classes mais desfavorecidas da sociedade, porquanto as causas da saída antecipada da escola advêm, principalmente, de problemas socioeconômicos. Destarte, é de grande importância que os professores procurem meios para garantir o acesso ao ensino ao jovem e a sua permanência necessária nas instituições.
Deve-se abordar, em segundo plano, que o abandono escolar acarreta severas consequências para o indivíduo e para a comunidade onde está inserido. Desse modo, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a educação é o principal instrumento de construção de cidadãos e, consequentemente, proporciona a harmonia social. Diante do exposto, é notório a imprescindibilidade do ensino para os jovens, dado que a sua escassez implica o retrocesso da cidadania individual e o desequilíbrio da sociedade. Como resultado, a parcela populacional mencionada torna-se mais suscetível à frustração pessoal, visto a redução de ofertas por conta da baixa escolaridade, propiciando, assim, a limitação do estado de cidadão, tendo em vista os efeitos do desemprego. Depreende-se, então, a necessidade de medidas que atenuem o revés supracitado, com a finalidade de assegurar a plena ordem comunitária.
Fica claro, dessa maneira, que a saída precoce do ambiente escolar é comum no país. Logo, é papel do Estado incentivar a permanência dos estudantes nas instituições, por meio da disponibilidade de assistentes sociais nas escolas, os quais possibilitem o acolhimento e o auxílio aos adolescentes, com o objetivo de certificar o progresso pessoal e coletivo. Dessarte, há a efetiva formação do indivíduo e a manutenção do bem-estar da comunidade, como defendido por Kant e Durkheim, respectivamente.