Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
A evasão escolar ocorre, quando um aluno deixa de frequentar a instituição de ensino e passa a ser caracterizado como abandono. Esse tema tem sido alvo de inúmeros debates, uma vez que se tornou algo cada vez mais recorrente e gera consequências na vida dos estudantes, pois consoante ao filósofo Immanuel Kant: “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil possui a terceira maior taxa de afastamento no mundo. Diversos são os fatores que contribuem para a permanência dessa realidade no território nacional. Dessa forma, faz-se necessário compreender as motivações do problema, com o objetivo de modificar esse cenário.
Observa-se, em primeira instância, a influência do aspecto socioeconômico na evolução dessa questão. Haja vista a enorme desigualdade existente no país, é comum observar jovens que precisam estudar e trabalhar para ajudarem na renda de casa. No entanto, muitos não conseguem conciliar e optam por permanecerem apenas no emprego ou não conseguem retornar. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas mostrou que em Minas Gerais, cerca de um terço dos adolescentes abandonam a escola para se dedicarem ao trabalho, o que é caracterizado como a segunda maior causa dessa problemática.
Deve-se abordar, ainda, o desinteresse existente por parte dos estudantes. Uma entrevista feita pela Fundação Victor Civita revelam que um em cada cinco alunos declarou que só frequentam o colégio para conseguir um diploma, visto que a declaração de conclusão facilita a entrada no mercado de trabalho. Isso ocorre, muitas vezes, em virtude da falta de inovação no ensino e ausência de infraestrutura nos ambientes escolares para o oferecimento de atividades com a utilização da tecnologia, por exemplo, que faz parte do cotidiano da maioria dos juvenis e que podem provocar o desejo de aprender nos discentes.
Infere-se, portanto, a premência de ações que reduzam os índices de egresso das organizações de educação. Logo, é imperioso que o Governo Federal efetue uma parceria com empresas privadas, para a distribuição de mais vagas de estágios pelo programa Jovem Aprendiz e que exijam a comprovação de presença em aulas, a fim de estimular a combinação entre estudos e vida profissional. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação promover mudanças na base curricular por meio do oferecimento de escolha ao aluno na prática de algumas matérias, além da oferta de aulas diversificadas por intermédio da criação de laboratórios de informática, com o fito de incentivar os indivíduos à permanecerem em sala. Dessa maneira, espera-se conseguir um maior número de pessoas em ambiente educacional.